Responsabilidade Social • 12:35h • 04 de fevereiro de 2026
Comunicação em Libras pode ser decisiva em atendimentos de emergência
Falta de acessibilidade linguística ainda representa risco para pacientes surdos em pronto-atendimentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Likeleads Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Em situações de emergência, a comunicação rápida e precisa pode definir o desfecho de um atendimento médico. Dados do Registro Nacional de Sinistros e Estatísticas de Trânsito (Renaest) apontam que, entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil registrou cerca de 776 mil acidentes de trânsito, com 13,9 mil mortes. Em cenários como esses, a ausência de acessibilidade linguística, especialmente para pessoas surdas, ainda é um fator de risco pouco discutido, mas com impacto direto na segurança do paciente.
Pessoas com deficiência auditiva enfrentam barreiras significativas para se comunicar em pronto-atendimentos, o que pode gerar erros de diagnóstico, atrasos na tomada de decisão clínica e dificuldades na identificação de sintomas. Sem o atendimento em Libras, informações essenciais, como dor, histórico médico ou uso de medicamentos, podem não ser compreendidas com clareza pelas equipes de saúde.
Segundo o IBGE, mais de 10 milhões de brasileiros têm algum grau de surdez ou deficiência auditiva, enquanto menos de 0,5% da população domina a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Para José Araújo Neto, CEO do ICOM, socialtech brasileira especializada em comunicação acessível, essa lacuna vai além da inclusão. “Imagine tentar entender o que aconteceu com uma vítima de acidente sem conseguir se comunicar com ela. Essa é uma situação real e recorrente nos serviços de emergência”, alerta.
De acordo com o executivo, a falta de comunicação acessível compromete diretamente a qualidade assistencial. “Quando o paciente não consegue relatar sintomas importantes, o profissional de saúde perde dados fundamentais para uma avaliação precisa. Isso aumenta o risco de erros e pode impactar negativamente o atendimento”, afirma.
Tecnologia aplicada à segurança em saúde
Diante desse cenário, soluções de interpretação em Libras em tempo real vêm ganhando espaço como ferramenta essencial em ambientes que exigem agilidade, como hospitais, UPAs, clínicas e serviços móveis de urgência. Plataformas tecnológicas permitem que o atendimento acessível seja acionado imediatamente, com necessidade apenas de conexão à internet.
O serviço oferecido pelo ICOM está disponível em todo o país e possibilita a comunicação direta entre profissionais de saúde e pacientes surdos, independentemente da localização. Para Araújo Neto, tratar a acessibilidade como parte do cuidado é fundamental. “Garantir Libras em atendimentos de urgência não é um diferencial, é uma necessidade. Comunicação clara reduz riscos, evita erros e torna o atendimento mais humano e eficiente. Em muitos casos, isso pode significar salvar vidas”, conclui.
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