Responsabilidade Social • 09:34h • 05 de março de 2026
Concentração de poluentes no ar ultrapassa limites em todo o país
Relatório do MMA considera padrões estabelecidos pelo Conama em 2024
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A concentração de poluentes atmosféricos no Brasil tem ultrapassado com frequência os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde. É o que aponta o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Pela primeira vez, o documento considera os padrões definidos por resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que atualizou os limites permitidos no país e estabeleceu metas de transição para alcançar os parâmetros internacionais.
O levantamento analisa a presença de substâncias como ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e diferentes tipos de material particulado, incluindo partículas finas e inaláveis. Os dados são coletados por estações de monitoramento espalhadas pelo país e mostram variações ao longo do ano, além de indicar quando os níveis superam os padrões de qualidade do ar.
Entre os poluentes avaliados, apenas o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio ficaram, na maior parte do tempo, dentro dos limites estabelecidos na fase de transição do Conama, com poucas ultrapassagens. Um dos casos ocorreu no Maranhão, onde uma estação registrou níveis de monóxido de carbono acima do permitido em parte dos dias monitorados.
Os demais poluentes permaneceram acima dos limites intermediários ao longo do ano. Segundo especialistas, muitos estados ainda operam dentro de padrões menos rigorosos, mesmo após a atualização das regras.
O relatório também aponta tendências regionais. Houve aumento na concentração de ozônio em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. O monóxido de carbono apresentou alta no Rio Grande do Sul, além de registros no Rio de Janeiro e em Pernambuco. Já o dióxido de nitrogênio teve crescimento mais expressivo no Rio de Janeiro, com variações positivas também em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia.
O dióxido de enxofre apresentou aumento no Espírito Santo, além de variações no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Em relação ao material particulado fino — composto por micropartículas que penetram profundamente nos pulmões — houve redução em algumas estações de São Paulo. Já o material particulado inalável, formado por partículas maiores que também afetam o sistema respiratório, apresentou aumento em ponto de medição localizado em uma escola de Minas Gerais.
O relatório destaca a necessidade de fortalecer os planos estaduais de controle da poluição, ampliar inventários de emissões e expandir a rede de monitoramento.
Atualmente, o país conta com 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, número superior ao registrado nos dois anos anteriores. No entanto, ainda há falhas no envio de dados ao Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar, o que pode comprometer a consolidação das informações.
Especialistas avaliam que, apesar dos desafios, o relatório representa avanço na governança ambiental, especialmente após a criação da Política Nacional de Qualidade do Ar. Eles defendem a atualização de programas de controle da poluição, a definição de parâmetros para níveis críticos e a criação de planos de contingência para episódios de pico, que podem ocorrer em um único dia, mas têm impacto significativo na saúde da população.
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