Mundo • 18:35h • 07 de maio de 2026
Conheça países da América Latina que reduziram as jornadas de trabalho
Colômbia reduziu para 42 horas, Chile e México para 40 horas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1 pode colocar o Brasil ao lado de países latino-americanos que, nos últimos anos, diminuíram o tempo dedicado ao trabalho, como Colômbia, Chile e México. Na contramão desse movimento, a Argentina flexibilizou recentemente sua legislação, permitindo jornadas de até 12 horas diárias.
Colômbia aposta em redução gradual
Na Colômbia, a jornada semanal está sendo reduzida de 48 para 42 horas sem corte de salários. A mudança foi aprovada em 2021 e vem sendo implementada de forma gradual, com previsão de conclusão em 2026. A primeira redução ocorreu em 2023, e desde então o país vem diminuindo progressivamente o número de horas trabalhadas.
Especialistas apontam que a medida também teve caráter político, como resposta a protestos sociais que ganharam força a partir de 2019. A proposta contou com apoio de setores empresariais e foi aprovada sem grande resistência no Congresso. Além disso, segue diretrizes internacionais que recomendam jornadas mais curtas.
Após a eleição de Gustavo Petro em 2022, novas mudanças trabalhistas foram aprovadas, incluindo ampliação de direitos, como pagamento adicional noturno mais cedo e regras mais rígidas para horas extras.
México avança com apoio popular
No México, a redução da jornada de 48 para 40 horas semanais foi aprovada em 2026 e será implementada de forma gradual a partir de 2027, com previsão de conclusão em 2030. A mudança ocorre em um cenário político favorável ao governo, que conta com alta popularidade e maioria no Parlamento.
A reforma integra um conjunto de medidas voltadas à ampliação de direitos trabalhistas e tem enfrentado resistência limitada por parte de setores empresariais. Analistas destacam que a fragilidade da oposição contribuiu para o avanço da proposta.
Chile reduz jornada após pressão social
No Chile, a jornada semanal está sendo reduzida de 45 para 40 horas, também sem redução salarial. A mudança foi sancionada em 2023 e está sendo implementada de forma gradual até 2028. Em 2024, a carga caiu para 44 horas e, em 2026, chegou a 42.
A reforma é vista como resultado direto das mobilizações sociais de 2019, que pressionaram por mudanças estruturais no país. A medida contou com apoio popular e de setores políticos progressistas, embora tenha enfrentado resistência do empresariado. Para viabilizar a proposta, foram incluídos mecanismos de flexibilização na distribuição da jornada.
Debate segue no Brasil
No Brasil, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho — atualmente em 44 horas semanais — e o fim da escala 6x1 ainda divide opiniões. Enquanto defensores argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, setores empresariais apontam possíveis impactos na economia, como efeitos sobre o Produto Interno Bruto e a inflação.
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