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Responsabilidade Social • 09:11h • 18 de janeiro de 2026

Consciência ambiental cresce em áreas com projetos de longa duração

É o que revela pesquisa que ouviu 1.803 pessoas

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Criada em 2007, a Rede Biomar atua de forma integrada na pesquisa científica, conservação da biodiversidade e educação ambiental ao longo do litoral brasileiro.
Criada em 2007, a Rede Biomar atua de forma integrada na pesquisa científica, conservação da biodiversidade e educação ambiental ao longo do litoral brasileiro.

Regiões que contam com projetos de conservação de longo prazo apresentam aumento de até 20% na consciência ambiental da população. É o que aponta um estudo inédito do Programa Maré de Ciência, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Rede Biomar, que reúne cinco dos principais projetos de conservação marinha do país: Albatroz, Baleia Jubarte, Coral Vivo, Golfinho Rotador e Meros do Brasil.

A pesquisa foi realizada em maio deste ano com 1.803 moradores de municípios costeiros, selecionados de forma aleatória. Do total, 1.501 entrevistados conheciam ao menos um dos projetos da Rede Biomar, enquanto 302 integraram um grupo de controle, sem contato com as iniciativas.

Consciência ambiental e vínculo com o oceano

Os dados mostram que projetos com pelo menos 20 anos de atuação aumentam em mais de 10% a percepção das pessoas sobre sua conexão com o oceano, chegando a 20% em alguns casos. Os resultados reforçam que investimentos contínuos em educação ambiental e sensibilização comunitária geram efeitos duradouros no comportamento social e ambiental.

Entre os participantes que conhecem os projetos da Rede Biomar, a percepção sobre como o oceano impacta a vida cotidiana é 11% maior. Além disso, 88% afirmam buscar informações sobre o tema, percentual 23% superior ao observado no grupo de controle.

Motivação para agir e mudança de hábitos

A disposição para contribuir com a conservação também se mostrou significativamente maior entre os entrevistados ligados à Rede Biomar: 87% disseram sentir-se motivados a agir, contra apenas 13% no grupo que não conhece os projetos. Já a disposição para mudar hábitos em favor do oceano alcançou 82%, sendo que 47% se declararam extremamente dispostos — quase o dobro do grupo de controle.

Mais de 90% das pessoas que conhecem os projetos afirmaram estar dispostas a atuar como agentes de mudança ou divulgadores das iniciativas de conservação marinha, índice 12% superior ao observado entre os demais entrevistados.

Planejamento estratégico e Década do Oceano

O levantamento integra o planejamento estratégico da Rede Biomar no âmbito da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, que vai até 2030. Um dos eixos centrais desse planejamento é ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância da conservação marinha e estimular mudanças de comportamento.

Para avaliar a eficácia das ações, a Rede Biomar firmou parceria com o Programa Maré de Ciência. Segundo a fundadora do Projeto Albatroz, Tatiana Neves, a pesquisa foi decisiva para compreender o impacto das iniciativas e orientar ajustes nas estratégias futuras. Para ela, o estudo representa um marco na atuação da rede.

Educação de longo prazo

Na avaliação de Ronaldo Christofoletti, coordenador do Programa Maré de Ciência, os resultados evidenciam a importância da educação ambiental contínua. Projetos presentes nos territórios há mais de duas ou três décadas contribuem para ampliar, de forma consistente, o conhecimento e a percepção das comunidades sobre o oceano e seus desafios.

Ele destaca que a educação ambiental é um processo gradual, que não ocorre de forma imediata, mas se consolida ao longo do tempo, especialmente quando há vínculo com a realidade local.

Desafios do engajamento prático

Apesar dos avanços, o estudo aponta como principal desafio transformar a preocupação ambiental em ações concretas. Tatiana Neves avalia que muitas pessoas desejam contribuir, mas ainda têm dúvidas sobre quais atitudes são realmente eficazes no dia a dia.

Entre os exemplos citados estão a redução do consumo de plástico descartável, a escolha por produtos mais sustentáveis e a participação em mutirões de limpeza e ações coletivas de conservação ambiental.

Comunicação acessível e inclusão social

Christofoletti ressalta a necessidade de adaptar as estratégias de educação ambiental aos diferentes públicos, considerando idade, nível de escolaridade, linguagem e contextos regionais. Segundo ele, o conhecimento precisa fazer sentido na vida cotidiana das pessoas e ser construído de forma participativa, a partir das realidades locais.

Responsabilidade individual e políticas públicas

Tatiana Neves chama atenção para o distanciamento que muitas vezes as pessoas sentem em relação à responsabilidade individual, atribuindo exclusivamente ao governo a solução dos problemas ambientais. Para ela, esse sentimento gera impotência e dificulta o engajamento.

Ao mesmo tempo, ambos os pesquisadores defendem o fortalecimento de políticas públicas e investimentos de longo prazo em educação ambiental, como ocorre com o apoio da Petrobras à Rede Biomar.

Currículo Azul e cultura oceânica

O estudo também reforça a importância de iniciativas como o Currículo Azul, política pública em desenvolvimento no Brasil que integra a educação oceânica ao currículo escolar. A proposta busca formar cidadãos mais conscientes sobre sustentabilidade, clima e a relação entre oceanos e demais biomas.

Para Christofoletti, compreender o oceano é compreender toda a natureza, já que ambientes terrestres e marinhos estão interligados. Ele defende que a educação ambiental esteja presente desde a infância até o ensino superior, como base para a transformação de comportamentos.

Rede Biomar e Maré de Ciência

Criada em 2007, a Rede Biomar atua de forma integrada em pesquisa científica, conservação da biodiversidade e educação ambiental ao longo do litoral brasileiro. Já o Programa Maré de Ciência, da Unifesp, fundado em 2012, é referência nacional e internacional em popularização da ciência, educação oceânica e sustentabilidade.

Ambas as iniciativas apostam na continuidade e no envolvimento comunitário como caminhos essenciais para fortalecer a consciência ambiental e formar novas gerações comprometidas com a conservação dos oceanos.


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