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Responsabilidade Social • 17:32h • 23 de junho de 2025

Construção de estradas impacta mangue amazônico

Vias facilitam exploração econômica e impedem escoamento da água

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Vista de um braço do Rio Caeté em área de manguezal na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu monitorada pelo projeto Mangues da Amazônia.
Vista de um braço do Rio Caeté em área de manguezal na Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu monitorada pelo projeto Mangues da Amazônia.

No nordeste do Pará, a rodovia PA-458 corta uma das maiores áreas contínuas de manguezal do planeta. De um lado da estrada, árvores com até 30 metros. Do outro, as mesmas espécies mal ultrapassam 3 metros. A diferença revela o impacto da via, que impede o fluxo natural da água, essencial para o crescimento das plantas.

Segundo o professor Marcus Fernandes, da UFPA e coordenador do projeto Mangues da Amazônia, 90% das estradas da região não são pavimentadas e passam a poucos quilômetros dos mangues. A PA-458, por exemplo, afeta diretamente 200 hectares — área equivalente a 180 campos de futebol. A falta de água transforma o ecossistema, reduzindo as árvores a uma "floresta anã".

Construída para escoar a pesca e melhorar o acesso a comunidades, a rodovia teve obras iniciadas na década de 1970 e só foi concluída em 1991. Hoje, é vista como um dos maiores impactos negativos na região. Além de facilitar o acesso para atividades predatórias, como retirada de madeira e caranguejos, também causa secamento da lama, prejudicando a vegetação.

Em um trecho de 14 hectares devastado pela via, projetos de recuperação ambiental conseguiram restaurar parte da vegetação. Desde 2005, com técnicas importadas da Ásia, Fernandes e sua equipe tentam reverter os danos causados. A recomposição do solo ajuda a reter água, mesmo em menor volume, permitindo a recuperação gradual da área.

O projeto Mangues da Amazônia atua em quatro municípios paraenses: Bragança, Tracuateua, Augusto Corrêa e Viseu. Entre suas ações estão o reflorestamento, o mapeamento de manguezais e a mobilização de comunidades locais. Viveiros com capacidade para 20 mil mudas são mantidos com apoio de agentes sociais, como Moisés Araújo, que destaca a mudança de mentalidade nas populações ribeirinhas sobre a importância da preservação.

Além do plantio, o projeto promove educação ambiental com a participação de escolas locais. Jovens como Clarice dos Santos e Taynara da Silva, que antes nunca haviam plantado uma muda, agora se envolvem na recuperação do ecossistema.

Os manguezais, localizados entre o mar e a terra firme, são fundamentais para conter a erosão, proteger as comunidades costeiras e capturar carbono atmosférico. O Brasil tem a segunda maior área de manguezais do mundo, com 14 mil km², sendo 80% concentrados no Maranhão, Pará e Amapá. A Amazônia abriga a maior parte sob proteção legal: 87% da área brasileira está em 120 unidades de conservação, totalizando 12 mil km².

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