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Saúde • 11:33h • 17 de fevereiro de 2026

Consumo de açaí na adolescência ajuda a prevenir sinais de ansiedade e depressão, aponta estudo

Estudo foi conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA)

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1

Açaí
Açaí

Uma pesquisa conduzida na Universidade Federal do Pará (UFPA), com participação do Laboratório de Farmacologia da Inflamação e do Comportamento (Lafico/UFPA) e do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA/UFPA), indica que compostos bioativos presentes no açaí podem atuar como fatores neuroprotetores quando consumidos durante uma fase de neurodesenvolvimento, equivalente à puberdade e adolescência.

Assinado por mais doze pesquisadores liderados pela UFPA em colaboração com outras instituições de pesquisa, o estudo utilizou testes comportamentais e análises bioquímicas em modelo animal para observar os impactos do fruto sobre o cérebro em fase de desenvolvimento. Publicado em janeiro na importante revista internacional Food Research International ganhou visibilidade fora do meio científico em reportagem do site Amazonia Vox (amazoniavox.com)

A pesquisadora Taiana Simas, que liderou o estudo, explica que o objetivo foi olhar para o açaí não apenas como possível auxiliar em sintomas, mas como parte de uma estratégia de prevenção em saúde. “Acredito muito no aspecto nutricional para prevenção de patologias. Como farmacêutica, defendo que a gente evite medicação quando for possível de ser evitada”, afirmou ela, ressaltando a ideia de fortalecer escolhas alimentares para prevenção de patologias.

No experimento, os animais que receberam açaí apresentaram melhor desempenho em testes usados para investigar ansiedade e depressão em modelo animal, como campo aberto, labirinto em cruz elevado, além do teste do nado forçado, que observa respostas de enfrentamento em situação adversa. Segundo Marta Barbosa, doutoranda e coautora do estudo, o grupo suplementado demonstrou melhora consistente: “Em todas as avaliações, o grupo que ingeriu açaí teve significativa melhora comportamental, demonstrando redução dos parâmetros de ansiedade e depressão, associada aos efeitos dos compostos bioativos”, afirma.

Além do comportamento, a equipe analisou biomarcadores no cérebro e observou melhora no equilíbrio antioxidante em áreas ligadas ao controle emocional e à resposta ao estresse, como o córtex pré-frontal e o hipocampo ventral, além de redução de danos oxidativos na amígdala. Marta detalhou um dos achados: “A gente tem uma enzima em nosso corpo chamada catalase e, nos animais que tiveram dieta à base de açaí, a gente teve uma melhora significativa dessa enzima”.

A coordenadora do Lafico, Cristiane Maia, destaca que os resultados chamaram atenção justamente por mostrarem o efeito do alimento “por si só” no modelo estudado. “Comprovamos que o açaí, por si só, melhora as condições de emocionalidade para os testes que aplicamos, de ansiedade, depressão, e lomoção espontânea em relação àqueles grupos de animais que não consumiram açaí”, disse a pesquisadora, acrescentando que o achado abre novas perguntas sobre mecanismos e aplicações futuras, como por exemplo, se seria possível pensar em algum tipo de medicamento a base de açaí.

Um ponto metodológico importante foi o uso de açaí clarificado, preparado para retirar componentes como lipídios e outras frações, permitindo observar com mais clareza o papel dos compostos antioxidantes. O pesquisador Hervé Rogez, do CVACBA/UFPA, explicou que a estratégia ajudou a separar o efeito dos antioxidantes do efeito que antes se atribuía à gordura do alimento: “Assim, conseguimos entender que as propriedades ansiolíticas e antidepressivas do açaí se devem necessariamente aos antioxidantes. E não aos lipídios ou gordura”.

A pesquisa também sinaliza um próximo passo: segundo a matéria, a equipe prepara uma fase de estudos com humanos, que deve iniciar ainda neste mês de fevereiro. A ideia será avaliar os resultados pelo consumo de açaí com diferentes grupos, com diferentes faixas etárias e estados emocionais.

Ao comentar a descoberta, o farmacêutico Walter Jorge João, presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e conselheiro federal de Farmácia pelo estado do Pará, parabenizou o grupo e destacou o orgulho de ver ciência amazônica liderada por mulheres farmacêuticas.

“Parabéns às colegas e a toda a equipe. Como farmacêutico que escolheu a área de alimentos para se especializar, fico orgulhoso diante dessa descoberta, que une grandes paixões da minha trajetória profissional (pesquisa e Farmácia ) a uma paixão de caboclo da Amazônia, que sou, o nosso açaí. E que maravilha ver que essa pesquisa foi conduzida sob a liderança de mulheres, farmacêuticas. Elas são maioria na nossa profissão e brilham, sempre!”


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