Saúde • 16:41h • 16 de fevereiro de 2026
Consumo de álcool durante tratamento psiquiátrico pode oferecer risco à saúde
Médicos alertam que a combinação pode reduzir a eficácia dos remédios no controle dos sintomas psiquiátricos ou potencializar seus efeitos sedativos
Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Com a temporada de Carnaval, o consumo de álcool aumenta. Mas, as bebidas alcoólicas não têm doses consideradas seguras para consumo e a ingestão delas durante o uso de medicamentos psiquiátricos pode ser nociva à saúde. Por isso, o médico emergencista do Pronto-Socorro do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, Igor Padoim, e o psiquiatra da mesma instituição, Michel Haddad, explicam os impactos da combinação.
Nenhuma dose de álcool é segura para quem toma esses remédios, mas a quantidade de bebida capaz de causar danos graves varia a partir de alguns fatores, como sensibilidade, peso, alimentação, sono e uso de outras substâncias.
O consumo de bebida alcoólica durante o uso de medicações, e não apenas psiquiátricas, pode causar lesões no fígado. Isso acontece porque a medicação sobrecarrega o órgão, que não está acostumado a metabolizar tal substância em determinada quantidade. Mas algumas medicações psiquiátricas podem apresentar um risco maior e nunca devem ser consumidas com a bebida, como os remédios da classe Z, como o hemitartarato de zolpidem, ou os benzodiazepínicos, como Diazepam, Clonazepam e Alprazolam.
Segundo o psiquiatra do HSPE, Michel Haddad, no Carnaval, o consumo de bebida alcoólica, sono desregrado e impulsividade oferecem riscos à saúde. “Quando isso acontece em pessoas que usam medicações psiquiátricas, cresce a chance de efeitos colaterais, quedas ou acidentes, descontrole de humor ou ansiedade e perda de percepção de risco”, comenta o especialista.
O médico explica que o álcool pode agir de duas formas. Uma delas é reduzir a eficácia do tratamento, principalmente em casos de transtornos de humor e ansiedade, pois desorganiza sono, aumenta inflamação e estresse fisiológico, podendo piorar os sintomas da questão psiquiátrica. Já em outros casos, a bebida alcoólica não reduz o efeito do remédio, mas se soma a eles, aumentando a sonolência e risco de confusão mental ou acidentes.
Os riscos oferecidos pelo consumo de álcool podem ser imediatos, com intoxicação, sedação excessiva, desorganização do sono, decisões arriscadas, crises de pânico e piora do humor – ou de longo prazo como piora dos sintomas das questões psiquiátricas, necessidades de ajuste de doses do remédio controlado e aumento do uso problemático do álcool.
Veja quais os efeitos do álcool com diferentes medicamentos:
Nenhum remédio psiquiátrico combina com álcool, mas diferentes medicamentos ou doses apresentam graus variados de riscos. Segundo Haddad, os grupos de remédios mais preocupantes são:
Sedativos/hipnóticos e ansiolíticos – podem causar sonolência, apagões, quedas, acidentes, piora do julgamento;
Antidepressivos e antipsicóticos – podem aumentar a sonolência, tontura, queda de pressão, além de piorar coordenação motora e atenção;
Estabilizadores do humor – efeitos no sistema nervoso e, dependendo do caso, elevam risco de desidratação e toxicidade caso a pessoa estiver com pouca ingestão de água, vomitando ou sem dormir;
Psicoestimulantes – podem “mascarar” a sensação de embriaguez e levar a um maior consumo de bebida alcóolicas, além de elevar risco de taquicardia, ansiedade, descontrole.
“Se a pessoa usa alguma medicação, não apenas as psiquiátricas, deve conversar com os médicos ou médicas que prescreveram o medicamento para saber quais são os riscos específicos do uso junto ao álcool”, indica o médico emergencista Padoim.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos