Saúde • 13:10h • 29 de maio de 2025
Consumo de tadalafila dispara 2.000% no Brasil e preocupa especialistas
Uso do medicamento como “pré-treino” viraliza nas redes sociais, leva Anvisa a proibir versões em balinhas e acende alerta sobre riscos à saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Divulgação
O Brasil vive um crescimento alarmante no consumo de tadalafila, medicamento originalmente desenvolvido para tratar disfunção erétil. Dados divulgados pela Anvisa mostram que, entre 2015 e 2024, as vendas saltaram de 3,2 milhões para 64,7 milhões de unidades, um crescimento impressionante de quase 2.000%.
O que antes era restrito ao consultório médico, especialmente na urologia, ganhou as redes sociais e se popularizou como uma espécie de “pré-treino milagroso”, supostamente capaz de melhorar a circulação sanguínea, aumentar a performance física e turbinar os resultados na academia.
A moda foi impulsionada, principalmente, por influenciadores digitais e pela proliferação de versões do medicamento em formato de balinhas, os chamados “gummies”, recentemente proibidos pela Anvisa.
A moda que virou risco
A prática, embora popular, preocupa médicos e especialistas em saúde cardiovascular. Isso porque a tadalafila, se utilizada fora da indicação médica e de maneira indiscriminada, pode provocar efeitos adversos graves, como queda brusca de pressão arterial, arritmias, dores no peito e, em casos extremos, risco de morte, especialmente se combinada com medicamentos à base de nitratos, comuns no tratamento de problemas cardíacos.
“É um erro pensar que, por melhorar a vasodilatação, ela serve como um suplemento de treino. Esse não é o propósito do medicamento e o uso sem controle traz sérios riscos”, alertam especialistas.
Por que a Anvisa proibiu as balinhas?
O formato em balas facilitava o consumo descontrolado, sem prescrição médica, e mascarava os riscos associados ao uso do medicamento. A Anvisa agiu rapidamente e, no dia 14 de maio, publicou uma resolução proibindo todas as versões em formato de gummies que contenham tadalafila.
A agência reforça que, além dos riscos cardiovasculares, a venda desses produtos como suplementos viola as normas sanitárias brasileiras, que determinam que a tadalafila é de uso controlado e só pode ser vendida com receita médica.
Efeitos colaterais e riscos
Assim como outros medicamentos da mesma classe, como o famoso Viagra (sildenafila), o uso da tadalafila pode causar efeitos colaterais como dor de cabeça, tontura, congestão nasal, rubor facial, dor muscular e distúrbios gastrointestinais. O problema é que seus efeitos podem durar até 24 horas, ampliando a janela de riscos.
Além disso, seu uso contínuo, sem controle, pode gerar dependência psicológica, especialmente entre jovens que buscam resultados rápidos na academia ou na vida sexual.
Fica o alerta
Médicos reforçam que o uso da tadalafila deve ser sempre feito com prescrição e acompanhamento médico, dentro das indicações corretas. Nenhuma tendência de internet substitui a segurança da medicina baseada em evidências.
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