Responsabilidade Social • 13:05h • 05 de junho de 2026
Contratadas, mas ainda invisíveis: 67% das pessoas com deficiência nunca foram promovidas no trabalho
Pesquisa revela que inclusão no ambiente corporativo ainda esbarra em barreiras de acessibilidade, crescimento profissional e participação nas decisões das empresas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Likeleads Assessoria | Foto: Divulgação
Entrar no mercado de trabalho já foi o principal desafio para pessoas com deficiência no Brasil. Hoje, mesmo com avanços na inclusão corporativa e no cumprimento da Lei de Cotas, muitos profissionais ainda enfrentam outra barreira dentro das empresas: a dificuldade de crescer na carreira.
Um levantamento do relatório Radar da Inclusão 2025 mostrou que 67% das pessoas com deficiência nunca receberam promoção no emprego atual. O estudo foi realizado pela consultoria Talento Incluir em parceria com o Pacto Global da ONU no Brasil e o Instituto Locomotiva.
Os dados chamam atenção porque boa parte desses profissionais permanece por anos na mesma empresa sem conseguir avançar profissionalmente. Segundo a pesquisa, 41% dos entrevistados trabalham há mais de três anos na organização atual.
Inclusão vai além da contratação
Especialistas afirmam que a inclusão não pode se limitar apenas à abertura de vagas. O desafio agora passa pela permanência, desenvolvimento profissional e acesso a oportunidades reais de crescimento dentro das empresas.
Segundo Monica Lupatin, diretora de Negócios do ICOM, muitas organizações conseguem contratar profissionais com deficiência, mas ainda falham quando o assunto envolve participação, acessibilidade e desenvolvimento de carreira.
Além da dificuldade de promoção, a pesquisa também mostra que 76% das pessoas com deficiência já se sentiram prejudicadas no ambiente de trabalho. Outros 56% afirmam ter enfrentado situações de falta de inclusão que impactaram diretamente o desempenho profissional ou o bem-estar emocional.
Comunicação ainda é uma das maiores barreiras
Entre os principais desafios apontados aparecem falhas de acessibilidade em reuniões, treinamentos, eventos internos e ferramentas utilizadas no cotidiano corporativo.
No caso de profissionais surdos, por exemplo, a comunicação continua sendo uma das maiores dificuldades dentro das empresas. Muitas vezes, discussões importantes, treinamentos e oportunidades de crescimento acontecem sem recursos adequados de acessibilidade.
Segundo Monica, isso acaba afastando profissionais dos espaços de decisão e das oportunidades de desenvolvimento dentro das organizações.
Tecnologia começa a ampliar acessibilidade
Com o avanço das discussões sobre diversidade e inclusão, empresas passaram a investir mais em soluções de acessibilidade digital e tecnologia assistiva.
Entre os recursos que vêm ganhando espaço estão plataformas de interpretação simultânea em Libras, sistemas de comunicação acessível e ferramentas capazes de ampliar a participação de profissionais com deficiência em reuniões e treinamentos.
Especialistas avaliam que, quando a acessibilidade passa a fazer parte da rotina corporativa, a inclusão deixa de ser apenas uma obrigação legal e começa a influenciar diretamente a cultura das empresas.
Desafio agora é transformar cultura corporativa
A Lei de Cotas determina que empresas com mais de 100 funcionários reservem entre 2% e 5% das vagas para pessoas com deficiência. A legislação ampliou o acesso ao mercado formal de trabalho nos últimos anos, mas especialistas afirmam que o cenário atual exige uma mudança mais profunda dentro das organizações.
Mais do que contratar, empresas são pressionadas a criar ambientes realmente acessíveis, com oportunidades de crescimento, participação e desenvolvimento profissional em igualdade de condições.
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