Economia • 13:09h • 16 de outubro de 2026
Contratações temporárias não bastam: comércio precisa treinar funcionários antes das compras de Natal
Treinamento antecipado, integração de funcionários temporários e organização das equipes podem evitar filas, informações desencontradas e problemas com consumidores durante as compras de fim de ano
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação
Com a aproximação do Natal de 2026, comerciantes precisam preparar suas equipes para o aumento da movimentação nas lojas e nos canais digitais. Além do planejamento de estoques e da contratação de funcionários temporários, a organização do atendimento pode fazer diferença na experiência dos consumidores. O especialista em liderança e experiência do cliente Alexandre Slivnik, diretor executivo do IBEX, instituto de formação empresarial voltado ao desenvolvimento de lideranças e gestão de pessoas, aponta cinco atitudes que ajudam empresas a evitar falhas e melhorar o desempenho dos profissionais durante o período de maior demanda.
A preparação ganha importância em um cenário de atenção ao desempenho do varejo brasileiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do setor recuou 0,8% em julho de 2026, na comparação com junho. Para os estabelecimentos comerciais, o planejamento de fim de ano envolve não apenas a oferta de produtos, mas também a capacidade de atender clientes com agilidade e informações corretas.
De acordo com Slivnik, um dos erros mais comuns é deixar o treinamento para novembro, quando a proximidade das festas reduz o tempo disponível para identificar problemas e preparar os profissionais. O especialista defende que o trabalho comece pelos funcionários efetivos, responsáveis por manter a rotina e orientar os novos contratados.
Cinco atitudes para preparar as equipes para o Natal
1. Ouvir os funcionários antes de organizar os treinamentos
Os profissionais que atendem diariamente conhecem dificuldades que nem sempre chegam aos gestores. Reclamações frequentes, demora para obter autorizações e orientações contraditórias podem revelar problemas nos procedimentos internos. Antes de investir em capacitação, a empresa deve identificar quais obstáculos dependem de treinamento e quais exigem mudanças na organização do trabalho.
2. Estabelecer orientações claras para o atendimento
Cordialidade e agilidade precisam ser acompanhadas de procedimentos definidos. A equipe deve saber como receber o consumidor, esclarecer dúvidas, apresentar informações sobre produtos e encaminhar solicitações. O objetivo é garantir um padrão de qualidade sem transformar o atendimento em uma sequência mecânica de respostas.
3. Simular situações comuns no movimento de fim de ano
Filas, produtos indisponíveis, reclamações e pedidos de troca podem ser utilizados em exercícios práticos antes do Natal. A recomendação é envolver profissionais do caixa, estoque, atendimento e canais digitais, verificando se todos trabalham com as mesmas informações e conhecem suas responsabilidades.
4. Integrar funcionários temporários sem sobrecarregar a equipe
Os novos contratados precisam receber orientações sobre produtos, sistemas, procedimentos e limites de decisão. Slivnik recomenda definir responsáveis pelo acompanhamento inicial e reservar momentos específicos para esclarecer dúvidas. Dessa forma, a integração não depende exclusivamente de interrupções na rotina dos funcionários mais experientes.
5. Preparar os líderes para orientar e apoiar os profissionais
Os gestores devem revisar escalas, distribuir responsabilidades e estabelecer quem poderá resolver situações excepcionais. Durante os dias de maior movimento, reuniões rápidas podem ajudar a comunicar mudanças e corrigir dificuldades. O reconhecimento de boas práticas também contribui para manter a equipe alinhada.
Organização interna influencia a experiência do consumidor
Outro cuidado importante é garantir que informações sobre prazos de entrega, disponibilidade de mercadorias e políticas de troca sejam atualizadas e compartilhadas entre os setores. Quando um funcionário transmite uma orientação diferente daquela seguida por outro departamento, o consumidor pode enfrentar dificuldades mesmo que a loja tenha estrutura para atender à solicitação.
Após os treinamentos, o acompanhamento de indicadores como tempo de espera, dúvidas recorrentes e reclamações permite identificar ajustes necessários antes das datas de maior movimento.
Para Alexandre, a qualidade do atendimento depende diretamente das condições oferecidas aos trabalhadores. "Não é possível exigir atenção ao cliente de uma equipe que trabalha sem orientação e suporte. Quando a empresa organiza os processos, escuta os funcionários e prepara seus líderes, cria condições para um atendimento consistente", afirma.
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