Economia • 19:47h • 17 de julho de 2026
Copa 2026 deixa um legado para as empresas: entender o consumidor em tempo real virou diferencial
Com o torneio chegando ao fim, dados de localização, buscas, WhatsApp e CRM mostram como grandes eventos ajudam empresas a conhecer melhor o comportamento dos clientes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Com apenas dois jogos restantes para o encerramento da Copa do Mundo de 2026, o torneio deixa um legado que vai muito além do futebol. Ao longo de um mês de competição, milhões de consumidores mudaram rotinas, buscaram bares, restaurantes, hotéis, produtos oficiais, transporte e opções de entretenimento, gerando uma enorme quantidade de informações sobre hábitos de consumo que agora podem ser analisadas pelas empresas.
Para setores como varejo, alimentação, turismo, serviços, tecnologia e entretenimento, a Copa também revelou uma nova disputa: a capacidade de interpretar, integrar e transformar esses dados em inteligência para futuras decisões de negócio.
Copa deixa um retrato detalhado do comportamento do consumidor
Durante a competição, cada pesquisa feita no Google, reserva em hotel, mensagem enviada pelo WhatsApp, compra online ou deslocamento registrado por aplicativos contribuiu para desenhar a jornada do consumidor.
Segundo Marcos Custódio, CEO da Webpeak, consultoria especializada em arquitetura digital para empresas, o Mundial evidenciou como o comportamento das pessoas muda rapidamente em eventos de grande repercussão.
"Durante a Copa, o consumidor muda de rota, de prioridade e de urgência. Ele procura onde assistir ao jogo, onde consumir, como se deslocar e que experiência quer viver naquele momento. O desafio das empresas é não tratar esses dados como sinais isolados. Quando localização, atendimento, vendas e CRM conversam entre si, a empresa deixa de reagir tarde e passa a entender o consumidor enquanto ele ainda está decidindo", afirma.
O maior desafio continua sendo integrar informações
Embora muitas empresas já coletem grandes volumes de dados, boa parte dessas informações permanece distribuída entre diferentes sistemas que não se comunicam.
Na prática, uma busca no Google Maps, um atendimento pelo WhatsApp, uma compra no e-commerce e um cadastro no CRM podem representar etapas da mesma jornada de consumo, mas acabam sendo analisados separadamente.
Para Custódio, esse continua sendo um dos principais gargalos para empresas que desejam aproveitar grandes eventos para fortalecer o relacionamento com seus clientes.
"A maioria das empresas já tem dados suficientes para entender melhor seu cliente. O que falta é integração. O dado está no atendimento, no ponto de venda, no aplicativo, no site, no WhatsApp, nas campanhas e nas buscas. Sem uma arquitetura digital bem estruturada, a empresa enxerga fragmentos. Com integração, começa a enxergar comportamento", explica.
CRM ganha papel estratégico
Ao longo da Copa, também ficou evidente que o CRM deixou de funcionar apenas como um cadastro de clientes.
Hoje, essas plataformas conseguem reunir informações sobre preferências, frequência de consumo, canais de contato, contexto da compra e histórico de relacionamento, oferecendo uma visão muito mais completa do consumidor.
Essa leitura beneficia diferentes segmentos. Bares e restaurantes conseguem identificar horários de maior movimento; hotéis interpretam padrões de deslocamento; varejistas ajustam estoques e promoções; patrocinadores acompanham o impacto de suas campanhas antes, durante e depois das partidas.
O aprendizado permanece depois da Copa
Para o especialista, o principal legado do Mundial não está apenas no aumento temporário das vendas, mas na oportunidade de compreender melhor o comportamento do consumidor para eventos futuros.
"O grande aprendizado dos eventos esportivos é que o consumidor não aparece apenas na hora da compra. Ele dá sinais antes. Busca, compara, pergunta, se desloca, interage e só depois decide. Quem consegue organizar essa jornada tem mais chance de transformar uma demanda pontual em relacionamento", afirma.
Na avaliação do executivo, as empresas que aproveitarem os dados gerados durante a Copa estarão mais preparadas para grandes campanhas, datas sazonais e novos eventos nos próximos anos.
"A empresa que olha para a Copa apenas como uma data comercial aproveita o momento. A empresa que organiza os dados gerados nesse período aprende sobre o consumidor e leva esse conhecimento para depois do evento. É aí que a tecnologia deixa de ser suporte operacional e passa a ser vantagem competitiva", conclui.
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