Gastronomia & Turismo • 20:37h • 19 de junho de 2026
Copa de 2026 exige atenção: produzir conteúdo nos EUA pode demandar visto específico
Com milhões de publicações previstas durante o torneio, especialistas alertam que atividades monetizadas podem ser consideradas trabalho pelas autoridades migratórias norte-americanas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Dampress Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A Copa do Mundo de 2026 promete mobilizar não apenas torcedores, mas também milhares de influenciadores digitais, criadores de conteúdo e produtores independentes que planejam acompanhar os jogos nos Estados Unidos, Canadá e México. No entanto, um alerta recente das autoridades migratórias norte-americanas tem chamado a atenção de quem pretende transformar a cobertura do evento em conteúdo para redes sociais.
Segundo orientações reforçadas pelo governo dos Estados Unidos, determinadas atividades realizadas por visitantes podem ser enquadradas como trabalho para fins migratórios, especialmente quando envolvem monetização, publicidade, contratos comerciais, patrocínios ou geração de receita.
A questão ganhou relevância porque muitos criadores de conteúdo costumam viajar utilizando o visto de turista B1/B2, sem perceber que algumas ações realizadas durante a estadia podem exigir uma categoria migratória diferente.
Produção de conteúdo pode ser interpretada como atividade profissional
De acordo com Mark Morais, advogado especializado em imigração, ex-promotor de imigração do ICE e ex-agente federal de fronteira do CBP, é fundamental que influenciadores e profissionais da área compreendam os limites legais do visto utilizado antes de embarcar para a Copa.
"Se você está vindo para os Estados Unidos com visto de turista B1/B2, é importante entender os limites legais da sua permanência. Criar conteúdo com o objetivo de gerar renda, receber pagamentos, fazer publicidade, divulgar marcas ou exercer atividades profissionais enquanto estiver nos EUA pode ser considerado trabalho para fins imigratórios", explica.
Segundo o especialista, um dos equívocos mais comuns é acreditar que toda atividade nas redes sociais é automaticamente permitida durante uma viagem de turismo.
As autoridades podem analisar diferentes aspectos da atuação do criador de conteúdo, como: Existência de contratos comerciais; Recebimento de patrocínios; Divulgação de marcas; Monetização de conteúdos; Origem dos pagamentos recebidos; Finalidade principal da viagem.
Dependendo das circunstâncias, a atividade pode ser interpretada como exercício profissional em território norte-americano.
Consequências podem ir além da viagem atual
Morais alerta que o descumprimento das condições estabelecidas para o visto pode gerar consequências importantes para o viajante.
Entre os riscos estão: Cancelamento do visto; Dificuldades para futuras entradas nos Estados Unidos; Questionamentos adicionais em processos migratórios; Medidas administrativas previstas pela legislação norte-americana.
O especialista destaca, porém, que não existe uma regra única aplicável a todos os influenciadores ou criadores de conteúdo. "Cada caso possui características próprias e deve ser analisado individualmente. O que vale para um influenciador pode não valer para outro, dependendo do tipo de atividade desenvolvida, da origem da receita e da estrutura contratual envolvida", afirma.
Copa deve ampliar fiscalização e visibilidade
Com a expectativa de uma das maiores audiências globais da história do futebol, a Copa de 2026 também deverá atrair atenção redobrada das autoridades migratórias sobre profissionais que utilizam o evento como plataforma para produção de conteúdo.
Por isso, especialistas recomendam que influenciadores, jornalistas independentes, videomakers e criadores digitais busquem orientação especializada antes da viagem.
"Planejamento é fundamental. Entender qual categoria de visto se aplica a cada caso pode evitar problemas durante a viagem e permitir que o profissional aproveite as oportunidades geradas pelo evento com segurança jurídica", conclui Morais.
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