Responsabilidade Social • 18:40h • 13 de outubro de 2026
Corte de cabelo em crianças autistas exige cuidados que vão além da tesoura
Barulho da máquina, contato com a pele e dificuldade para permanecer sentado podem causar desconforto; adaptação do ambiente e respeito ao ritmo de cada criança ajudam no atendimento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MGA | Foto: Divulgação
Uma atividade comum na rotina das famílias, o corte de cabelo pode se transformar em uma experiência desconfortável para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O ruído da máquina, o contato dos instrumentos com a cabeça, os fios caindo sobre a pele e a necessidade de permanecer sentado estão entre os estímulos que podem provocar reações sensoriais intensas. Para reduzir essas dificuldades, profissionais recomendam preparação antecipada, adaptação do ambiente e uma abordagem que respeite as particularidades de cada criança.
A sensibilidade aos estímulos varia de uma criança para outra, o que torna inadequada a adoção de um procedimento único para todos os atendimentos. Algumas podem apresentar maior resistência ao som dos equipamentos, enquanto outras sentem desconforto com o toque ou com a movimentação durante o corte. Por isso, observar as reações e identificar possíveis sinais de sobrecarga são medidas importantes antes e durante o procedimento.
Segundo o cabeleireiro Cristopher Rodrigues, especializado em cortes infantis e atendimento humanizado de pessoas com TEA, a aproximação deve acontecer gradualmente, permitindo que a criança conheça os instrumentos e compreenda o que será realizado. “O atendimento começa antes mesmo de ligar a máquina. É necessário observar como a criança reage ao ambiente, ao toque, aos equipamentos e aos diferentes estímulos envolvidos no procedimento”, explica.
Brincadeiras e preparação em casa podem facilitar o corte
Uma das estratégias utilizadas é apresentar os equipamentos de maneira lúdica, associando-os a objetos ou atividades familiares. Para uma criança que gosta de carrinhos, por exemplo, a máquina de cortar cabelo pode ser apresentada como um veículo com motor, tornando o primeiro contato menos desconhecido.
A participação dos responsáveis também pode começar antes da visita ao cabeleireiro. Atividades simples de cuidado com os cabelos e a familiarização progressiva com os sons dos equipamentos ajudam a preparar a criança para o ambiente e para as etapas do atendimento.
Durante o procedimento, comportamentos como agitação, tentativas de afastamento ou pedidos para sair podem indicar desconforto. Nessas situações, a recomendação é interromper o corte, oferecer uma pausa e respeitar o tempo necessário para que a criança se sinta novamente confortável, sem insistir na conclusão imediata da atividade.
Para Ronaldo Ranieri, diretor da CompletaMente, a adaptação de serviços cotidianos representa uma forma de ampliar a acessibilidade. Ele destaca que ambientes preparados e profissionais capacitados contribuem para uma experiência mais acolhedora, considerando também as necessidades dos responsáveis.
A instituição inaugurou recentemente sua quinta unidade, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, onde registrou 81 atendimentos no primeiro dia de funcionamento. Entre as atividades oferecidas estão ações recreativas, como pintura facial e escultura com balões, utilizadas para favorecer a aproximação das crianças com o ambiente.
Mais do que concluir o corte de cabelo, a proposta do atendimento adaptado é construir uma experiência de confiança, na qual a criança possa se familiarizar gradualmente com uma atividade que faz parte de sua rotina.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos