Saúde • 08:03h • 29 de março de 2026
Covid longa ainda afeta milhões e desafia ciência global
Mesmo após o fim da pandemia, condição pode atingir até 400 milhões de pessoas e impacta saúde, trabalho e qualidade de vida
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Quase três anos após o fim oficial da pandemia de Covid-19, entre 80 milhões e 400 milhões de pessoas no mundo convivem com a chamada Covid longa. A condição pode provocar mais de 200 sintomas, como cansaço extremo, falta de ar e, principalmente, problemas neurológicos e psicológicos, incluindo dificuldade de concentração, insônia, depressão e perda de memória, afetando atividades do dia a dia e o desempenho no trabalho.
Os especialistas apontam que a doença está ligada a diversos fatores no organismo, como a permanência do vírus no corpo, reativação de outros vírus, alterações no sistema imunológico, desequilíbrio da flora intestinal e problemas na circulação sanguínea. No cérebro, também podem ocorrer mudanças na estrutura e no funcionamento.
Apesar dos avanços, ainda são necessários mais estudos para entender melhor a doença, padronizar diagnósticos e desenvolver tratamentos. Um artigo publicado na revista científica Nature Reviews Disease Primers reúne informações sobre sintomas, causas, diagnóstico e impactos da Covid longa, destacando os desafios enfrentados pela ciência.
Entre os autores está a neurologista brasileira Clarissa Yasuda, da Unicamp, que pesquisa o tema desde 2020. Segundo ela, ainda não existe tratamento específico para a condição, e a principal forma de prevenção continua sendo evitar a infecção e manter a vacinação em dia.
O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica, já que não há exames específicos. Para ser considerada Covid longa, a pessoa precisa ter tido a infecção e apresentar sintomas por pelo menos três meses, após descartar outras doenças.
No Brasil, os casos de Covid-19 vêm caindo, mas ainda são significativos. Em 2025, foram registrados mais de 432 mil casos. Já a Covid longa atingiu cerca de 13,8 milhões de brasileiros, principalmente mulheres e pessoas entre 30 e 49 anos.
Além dos impactos na saúde, a condição também afeta o mercado de trabalho. Estimativas indicam que, em 2024, a Covid longa resultou na perda de mais de 803 milhões de horas de trabalho no Brasil, com prejuízo bilionário para a economia.
Pacientes também enfrentam dificuldades para ter o diagnóstico reconhecido e acesso ao tratamento, além de estigmas e falta de compreensão, o que pode agravar o quadro. Por isso, especialistas defendem acompanhamento com equipes multidisciplinares e mais investimentos em pesquisa.
A Covid longa já é acompanhada pelo Sistema Único de Saúde desde 2021, mas ainda representa um grande desafio para médicos, pesquisadores e gestores públicos.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos