Mundo • 10:01h • 07 de junho de 2026
Cresce presença feminina na medicina, mas cargos de comando seguem masculinos
Crescimento feminino nas faculdades não se reflete na mesma proporção em diretorias, conselhos e cargos de decisão na área da saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da NB Press Assessoria | Foto: Divulgação
As mulheres já representam a maioria dos estudantes de medicina no Brasil, mas continuam longe de ocupar os principais espaços de liderança da profissão. Dados da Demografia Médica no Brasil 2025 mostram que 58% das matrículas nos cursos de medicina são femininas, consolidando uma mudança importante em uma carreira historicamente dominada por homens.
Apesar desse avanço na formação acadêmica, a presença feminina diminui à medida que a carreira avança. Levantamentos nacionais e internacionais apontam que mulheres seguem sub-representadas em cargos de direção hospitalar, presidências de sociedades médicas, conselhos profissionais e posições estratégicas ligadas à pesquisa e à gestão em saúde.
Para especialistas do setor, o cenário revela um desafio que vai além do acesso à formação e envolve obstáculos que surgem ao longo da trajetória profissional.
A maioria nas salas de aula ainda não chegou ao topo
Nas últimas décadas, a participação feminina na medicina cresceu de forma consistente. Hoje, em muitas instituições de ensino, as mulheres já são maioria entre os estudantes e também em diversos ambientes clínicos.
No entanto, quando a análise se volta para os cargos de liderança, os números mudam significativamente. Relatórios internacionais indicam que apenas cerca de um quarto das posições de liderança na área da saúde são ocupadas por mulheres. Em conselhos e entidades médicas, a participação feminina costuma ser ainda menor.
Segundo Rafael Duarte, CEO e fundador do Grupo RD Medicine, o contraste mostra que o problema não está na entrada das mulheres na profissão, mas nas dificuldades encontradas ao longo do desenvolvimento da carreira.
Barreiras aparecem durante a trajetória profissional
Entre os fatores apontados por especialistas estão a sobrecarga da dupla jornada, que ainda recai de forma mais intensa sobre as mulheres, e a dificuldade de conciliar responsabilidades familiares com atividades profissionais que exigem dedicação prolongada.
A participação em congressos, programas de especialização, atividades acadêmicas e funções de gestão muitas vezes acaba sendo impactada por essa realidade.
Outro desafio frequentemente citado é a falta de programas estruturados de mentoria e desenvolvimento de lideranças femininas. Sem acesso às mesmas redes de relacionamento e oportunidades estratégicas, muitas profissionais encontram mais obstáculos para alcançar posições de comando.
Além disso, estudos apontam que vieses inconscientes ainda podem influenciar processos de promoção, seleção e indicação para cargos de liderança.
Diversidade também impacta a qualidade da assistência
A discussão sobre liderança feminina na medicina não envolve apenas representatividade. Especialistas defendem que equipes mais diversas tendem a enriquecer processos de decisão e ampliar diferentes perspectivas dentro das instituições de saúde.
Ambientes que reúnem profissionais com experiências variadas costumam favorecer inovação, revisão de práticas e construção de soluções mais abrangentes para desafios complexos da área médica.
Por isso, a ampliação da participação feminina em posições estratégicas é vista por muitos especialistas como uma questão que também impacta o desempenho das organizações de saúde.
Caminhos para reduzir a desigualdade
Entre as medidas apontadas para ampliar a presença feminina na liderança estão programas de mentoria, incentivo à educação continuada, desenvolvimento de lideranças e criação de ambientes institucionais que reconheçam e enfrentem barreiras históricas.
A avaliação é que o talento e a qualificação já estão presentes em larga escala. O desafio agora passa por garantir que as oportunidades de crescimento profissional acompanhem a transformação observada nas salas de aula.
À medida que mais mulheres ingressam na medicina, o debate sobre liderança ganha força dentro do setor. Para especialistas, a próxima etapa da evolução da profissão passa justamente por reduzir a distância entre quem se forma e quem ocupa os espaços de decisão.
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