Ciência e Tecnologia • 17:08h • 06 de maio de 2026
Crimes com criptomoedas desafiam investigações e exigem cooperação internacional
Especialista explica como funciona o rastreamento no blockchain e por que a velocidade das transações favorece criminosos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Dampress Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O uso de criptomoedas em crimes financeiros tem imposto novos desafios às autoridades, especialmente pela velocidade das transações e pela atuação em múltiplos países. Segundo especialistas em investigação digital, rastrear valores movimentados em redes como Bitcoin e Ethereum exige cooperação internacional e ferramentas tecnológicas avançadas para identificar responsáveis por operações suspeitas.
Criptoativos são moedas digitais que funcionam sem intermediação de bancos e registram todas as transações em um sistema público chamado blockchain. Embora esse registro seja permanente e acessível, as identidades por trás das operações não aparecem diretamente, sendo representadas por códigos, o que dificulta a identificação imediata dos envolvidos.
Na prática, criminosos utilizam diferentes estratégias para tentar ocultar o caminho do dinheiro. Entre elas estão os chamados “mixers”, que embaralham valores de diversas origens, o uso de corretoras sem verificação de identidade, transferências entre diferentes blockchains e moedas voltadas à privacidade, que escondem dados das transações.
Apesar dessas tentativas, o histórico das movimentações permanece registrado. Investigadores utilizam técnicas como análise on-chain, que permite acompanhar o trajeto dos valores, e cruzamento de dados públicos para associar carteiras digitais a pessoas ou organizações. Ferramentas especializadas e algoritmos também ajudam a identificar padrões típicos de lavagem de dinheiro.
Transações rápidas dificultam combate a crimes com criptomoedas no mundo
Desafio global e diferença de velocidade
Um dos principais obstáculos está na natureza internacional dessas operações. Valores podem circular por diferentes países em poucos minutos, enquanto processos formais de cooperação entre autoridades podem levar meses. Essa diferença de velocidade cria uma vantagem operacional para criminosos.
Para enfrentar esse cenário, organismos internacionais e autoridades nacionais têm estabelecido regras e sistemas de monitoramento. O Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) recomenda que corretoras identifiquem clientes e compartilhem informações em transações suspeitas. Redes de cooperação entre países também buscam agilizar a troca de dados.
No Brasil, órgãos como o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) regulamentam a atuação de plataformas e exigem comunicação de movimentações atípicas.
Tecnologia como aliada nas investigações
O avanço da inteligência artificial tem ampliado a capacidade de análise, permitindo examinar grandes volumes de transações e identificar comportamentos suspeitos com mais rapidez. Ainda assim, especialistas destacam que essas ferramentas precisam ser acompanhadas de transparência e validação técnica, especialmente em processos judiciais.
Apesar da associação frequente entre criptomoedas e atividades ilícitas, o próprio funcionamento do blockchain é apontado como um diferencial. Por manter um registro permanente das operações, o sistema permite rastreamento detalhado ao longo do tempo, o que pode favorecer investigações quando há capacidade técnica e cooperação entre países.
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