Ciência e Tecnologia • 18:39h • 06 de dezembro de 2025
Criminosos adotam IA e modelo de assinatura em ataques, especialistas alertam para nova fase do cibercrime
Automação, engenharia social, compra de acessos privilegiados e falhas de fornecedores impulsionam ofensiva digital mais rápida e profissionalizada
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Infinita Assessoria | Foto: Divulgação
O cibercrime entrou em uma etapa de industrialização, marcada pelo uso de Inteligência Artificial, automação acelerada e a oferta de serviços ilícitos estruturados em modelo de assinatura. A avaliação foi apresentada pelo perito criminal federal Rodrigo Lange durante o 1º Painel Eskive | Desafios e Estratégias contra o Cibercrime no Brasil, evento que discutiu o avanço das ameaças digitais em um cenário que movimenta mais de 180 bilhões de reais anualmente no país.
Segundo Lange, o crime digital se tornou um negócio com divisão de tarefas, suporte técnico, terceirização e kits de invasão comercializados com atualizações regulares. Para o especialista, a velocidade de adoção de IA por grupos criminosos amplia a capacidade de automatizar ataques, aprimorar engenharia social e explorar vulnerabilidades em larga escala. A expansão do uso de APIs, integrações mal configuradas e dispositivos conectados também elevou o risco de infiltração.
A defesa corporativa, afirma o perito, depende de inventário atualizado de ativos, autenticação forte, monitoramento contínuo e educação de equipes. Ele destaca que a prevenção exige maturidade técnica e comportamental, já que a superfície de ataque se ampliou com ambientes híbridos e serviços terceirizados.
Outro ponto de preocupação é o aliciamento de funcionários com acessos privilegiados. Em grupos de Telegram e redes sociais, criminosos têm oferecido valores elevados para colaboradores dispostos a facilitar invasões. O movimento, segundo Lange, traduz uma lógica de eficiência adotada pelo crime digital, que muitas vezes prefere comprar o acesso pronto em vez de realizar a intrusão técnica.
A visão é compartilhada por Juliana D'Addio, Security Culture Strategist no Santander Brasil, que reforça o papel central do fator humano no cenário atual de ataques. Para ela, a engenharia social e o aliciamento são estratégias amplamente utilizadas porque exploram fragilidades comportamentais. Embora a maioria das organizações considere a segurança digital uma prioridade, parte significativa ainda enfrenta dificuldades na obtenção de recursos para consolidar essa agenda.
O ataque à cadeia de suprimentos também ganhou relevância. Criminosos têm preferido atingir fornecedores menores e menos estruturados para alcançar empresas maiores, aproveitando brechas geradas por integrações e terceirizações sem verificação contínua. A recomendação de especialistas é que contratos incluam requisitos mínimos de segurança, segmentação de acessos e monitoramento permanente.
A CEO da Eskive, Priscila Meyer, que mediou o painel, destaca que muitos incidentes divulgados recentemente poderiam ser evitados com diligências prévias e exigências contratuais básicas. Para ela, fornecedores lidam diretamente com dados sensíveis e precisam operar com padrões compatíveis aos das empresas contratantes.
Na etapa final do debate, Lange reforçou que falhas na preservação de logs, metadados e versões de arquivos tornam investigações incompletas. A cadeia de custódia digital é exigida no Brasil desde 2019 e estabelece regras para coleta, armazenamento e controle de evidências. Sem esses procedimentos, a integridade dos dados não pode ser comprovada. Ele recomenda que organizações adotem trilhas imutáveis de log, geração de hash e normas de referência, como a NIST SP 800-86, que orienta a integração de técnicas forenses na resposta a incidentes.
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