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Ciência e Tecnologia • 09:01h • 21 de setembro de 2026

Curativo líquido seca em 45 segundos e pode reduzir pela metade o tempo de cicatrização

Tecnologia desenvolvida na Unicamp forma uma película transparente e resistente à água, é absorvida pelo organismo e dispensa gaze ou ataduras

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação

Curativo que vira película sobre a pele pode acelerar cicatrização em até 50%
Curativo que vira película sobre a pele pode acelerar cicatrização em até 50%

Um curativo líquido capaz de formar uma película protetora sobre uma ferida em até 45 segundos pode reduzir aproximadamente pela metade o tempo de cicatrização em comparação aos curativos tradicionais, segundo resultados de ensaios pré-clínicos. Desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, a tecnologia é aplicada diretamente sobre a lesão, resiste à água e é gradualmente absorvida pelo próprio organismo.

A proposta é eliminar alguns dos problemas comuns de gazes, ataduras e fitas adesivas. A troca desses materiais pode provocar desconforto e atingir o tecido novo em formação, enquanto a umidade e a manipulação também podem favorecer contaminações. Feridas em joelhos, cotovelos e outras articulações ainda dificultam movimentos e a fixação dos curativos convencionais.

Com a solução criada na Unicamp, não é necessário cortar uma cobertura no tamanho da lesão nem tocar diretamente no ferimento para posicioná-la. O líquido se adapta à região aplicada e, depois de seco, forma uma estrutura tridimensional que funciona como suporte para a regeneração celular e como barreira contra agentes externos.

Curativo desaparece conforme a ferida cicatriza

Um dos diferenciais está no material utilizado. Os pesquisadores trabalharam com um polímero biocompatível, mas precisaram superar uma dificuldade que limitava seu uso diretamente sobre feridas. Métodos de solubilização existentes podem empregar solventes tóxicos, inadequados para contato com a pele lesionada.

A equipe desenvolveu um sistema com solventes de origem renovável e considerados atóxicos pelos pesquisadores. Depois da aplicação e da formação da película, o organismo metaboliza gradualmente o polímero.

Isso significa que o curativo não precisa ser retirado manualmente. Ele é absorvido pelo corpo durante o processo de cicatrização, característica que também pode reduzir a geração de resíduos biológicos associados às trocas de gaze e outros materiais.


A película é transparente, permitindo acompanhar a evolução da ferida sem removê-la, e impermeável à água externa. A proposta é permitir que o paciente tome banho sem precisar proteger o local com coberturas adicionais.

Cotovelos e joelhos estão entre as áreas que podem se beneficiar

A capacidade de acompanhar os movimentos da pele torna a tecnologia especialmente interessante para regiões de dobras e articulações. Segundo os pesquisadores, a película mantém aderência sem descolar ou se romper durante a movimentação.

A pesquisa foi coordenada pelo professor Rubens Maciel Filho, com participação de André Luiz Jardini Munhoz, Ana Flávia Pattaro e Maria Ingrid Rocha Barbosa Schiavon. O desenvolvimento recebeu financiamento da Fapesp.

Nos ensaios pré-clínicos in vivo, realizados em colaboração com a Faculdade de Medicina de Jundiaí, o material apresentou redução de aproximadamente 50% no tempo de cicatrização quando comparado aos curativos tradicionais.

Tecnologia ainda precisa avançar na Anvisa

Apesar dos resultados, o curativo ainda não está disponível comercialmente. A tecnologia foi licenciada com exclusividade para a Dermbio Biotech, empresa derivada de pesquisa acadêmica da Unicamp, que trabalha nas etapas regulatórias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e na estruturação para futura chegada ao mercado.

Os pesquisadores também estudam aplicações veterinárias. Como animais podem arrancar ataduras ou lamber ferimentos, a aderência da película e sua resistência à água são apontadas como características potencialmente úteis, com forma de aplicação semelhante à prevista para humanos.

A tecnologia ainda poderá ser explorada em outras frentes. Entre as possibilidades estudadas estão dermocosméticos para antienvelhecimento, revestimento de implantes e próteses e sistemas para liberação controlada de antibióticos e anti-inflamatórios.

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