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Mundo • 16:31h • 23 de janeiro de 2026

De 2016 para 2026 o trabalho mudou de eixo e segue em transformação

Liderança, transição de carreira e habilidades humanas passaram ao centro das decisões profissionais e empresariais

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Do emprego à reinvenção: como o mercado de trabalho mudou desde 2016
Do emprego à reinvenção: como o mercado de trabalho mudou desde 2016

Desde 2016, o mercado de trabalho passou por uma transformação profunda, alterando prioridades e expectativas de profissionais e organizações. Se há quase uma década o foco era manter o emprego em meio a um cenário de crise, hoje o debate gira em torno de desenvolvimento de líderes, transições de carreira e do futuro do trabalho, marcado por mudanças constantes, avanço tecnológico e novas demandas por propósito e bem-estar.

Segundo a consultora de RH, psicóloga e mentora de líderes e carreiras Bia Tartuce, esse reposicionamento reflete um ambiente menos linear e mais dinâmico. Dados da Exec Learn indicam que 77% das organizações não possuem profundidade suficiente de liderança em todos os níveis. Já o LinkedIn Workplace Learning Report 2025 aponta que apenas 36% das empresas são consideradas “campeãs” no desenvolvimento de carreira, com programas estruturados, enquanto 33% não têm iniciativas ou estão apenas começando.

Esse cenário evidencia que carreira e liderança deixaram de seguir trajetórias previsíveis. Para Tartuce, o papel do líder precisou ser redefinido. “Muitos ainda atuam com mentalidade de controle e comandos rígidos. Hoje, liderar significa desenvolver pessoas, criar segurança psicológica e sustentar conversas difíceis com empatia e clareza”, afirma. Estudos da McKinsey reforçam que empresas que investem no desenvolvimento de pessoas e mantêm uma cultura de aprendizado contínuo apresentam maior retenção de talentos e equipes mais engajadas.

Transição de carreira deixa de ser exceção

Outro ponto central dessa transformação é a transição de carreira, que passou de evento pontual para parte recorrente da trajetória profissional. Para Bia Tartuce, a mudança representa amadurecimento. “A transição de carreira não é mais sinal de fracasso, mas de protagonismo. O profissional entendeu que precisa gerir a própria carreira ao longo da vida”, observa.

O LinkedIn Workplace Learning Report 2025 mostra que o avanço profissional é a principal motivação para o aprendizado. Quando esse progresso não acontece, a tendência é a saída. O levantamento indica ainda que 71% dos profissionais da geração millennial deixam uma empresa em até três anos caso não encontrem oportunidades de desenvolvimento de liderança.

Tecnologia acelera, mas não substitui o humano

A aceleração da inteligência artificial intensificou essas mudanças. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que habilidades humanas como pensamento crítico, inteligência emocional, criatividade e liderança estarão entre as mais demandadas até 2030, enquanto tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas.

O estudo estima a criação de 170 milhões de novos empregos nesta década, ao mesmo tempo em que 92 milhões de funções serão deslocadas pelas transformações tecnológicas, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de postos. Para Tartuce, o futuro do trabalho será cada vez menos linear e mais baseado em ciclos contínuos de aprendizado e reinvenção.

“A tecnologia executa processos, mas não substitui a capacidade humana de decidir, se conectar e liderar pessoas. Quem investe no desenvolvimento de habilidades humanas, aceita transições como parte da jornada e aprende continuamente estará mais preparado para o trabalho que já começou a se desenhar”, conclui.

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