Ciência e Tecnologia • 17:41h • 04 de fevereiro de 2026
De volta à Lua, NASA inicia nova era da exploração espacial
Missão Artemis II marca o retorno de astronautas ao entorno lunar após mais de 50 anos e inaugura fase cooperativa da exploração humana fora da Terra
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com colaboração de Dr. João Canalle | Foto: Divulgação
A NASA se prepara para dar um dos passos mais simbólicos e estratégicos da exploração espacial contemporânea com o lançamento da missão Artemis II, previsto para 6 de fevereiro. A missão marca o retorno de astronautas ao entorno da Lua após mais de cinco décadas e inaugura uma nova fase da presença humana fora da Terra, agora com objetivos científicos, tecnológicos e geopolíticos distintos dos que orientaram o programa Apollo.
O foguete Space Launch System, o mais poderoso já desenvolvido pela agência espacial norte-americana, levará quatro astronautas em um voo de aproximadamente dez dias ao redor do satélite natural, sem pouso. A tripulação é composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. A missão também marca a primeira vez que uma mulher integra uma viagem tripulada à Lua.
Segundo o professor e astrônomo João Canalle, coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica e da OBAFOG, a Artemis II representa uma mudança profunda de propósito em relação às missões lunares do século passado. “Durante a Guerra Fria, ir à Lua era uma demonstração de poder tecnológico e político. Hoje, o retorno ocorre com uma lógica completamente diferente, baseada em ciência, cooperação internacional e preparação para desafios ainda maiores”, analisa Canalle.
Durante o voo, os astronautas realizarão uma série de testes essenciais próximos à Terra e no trajeto até a Lua, incluindo verificação completa dos sistemas da nave Orion, manobras de navegação e procedimentos de segurança. Esses testes são considerados críticos para garantir a viabilidade das próximas missões do programa Artemis.
Por que voltar à Lua
De acordo com Canalle, o retorno ao satélite natural tem como objetivo principal estabelecer uma presença humana sustentável fora da Terra. A Lua passa a ser encarada como um laboratório natural para o desenvolvimento de tecnologias que permitam a sobrevivência em ambientes extremos.
Entre os desafios a serem enfrentados estão a extração de água do solo lunar, a proteção contra radiação, a adaptação à baixa gravidade, a ausência de atmosfera e as variações extremas de temperatura. Esses fatores tornam a Lua um campo de testes ideal para sistemas de energia, construção de habitats, uso de recursos locais e até experimentos iniciais de cultivo.
“O sucesso da Artemis II é fundamental para missões futuras, especialmente uma missão tripulada a Marte. Antes de enfrentar uma viagem longa e arriscada, é preciso dominar o transporte, a permanência e a sobrevivência fora da Terra em um ambiente mais próximo”, explica o astrônomo.
Cooperação substitui a corrida espacial
Outro aspecto destacado por Canalle é a mudança no cenário geopolítico da exploração espacial. Diferentemente das missões Apollo, o programa Artemis é um esforço multinacional, envolvendo diversas agências espaciais e países parceiros.
“Não se trata mais de uma corrida entre superpotências. O programa Artemis simboliza uma nova lógica de cooperação internacional, na qual o conhecimento científico e a sustentabilidade da exploração espacial ganham protagonismo”, afirma.
Na avaliação do professor, a Artemis II abre caminho para um novo capítulo da história espacial, mais colaborativo, estratégico e voltado ao longo prazo. “Se em 1969 o objetivo era provar capacidade tecnológica, agora o desafio é aprender a viver fora da Terra”, conclui.
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