Saúde • 08:10h • 21 de abril de 2026
Debate no Congresso discute acesso a novo medicamento de prevenção ao HIV no SUS
Lenacapavir, considerado inovador por sua aplicação semestral, enfrenta desafios de preço e patente no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MSF | Foto: Arquivo/Âncora1
A possível incorporação do lenacapavir ao Sistema Único de Saúde (SUS) foi tema de audiência pública realizada no dia 14 de abril pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados. O medicamento, indicado para a prevenção do HIV, tem sido apontado como uma das inovações mais relevantes no enfrentamento da doença nos últimos anos.
O lenacapavir é um antirretroviral de longa duração, administrado por meio de injeções com intervalo de até seis meses. A proposta é ampliar a proteção contra o HIV e facilitar a adesão ao tratamento preventivo, em comparação com métodos que exigem uso diário de medicamentos.
Acesso e desafios regulatórios
Durante a audiência, representantes de diferentes setores incluindo governo, organismos internacionais, indústria farmacêutica, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil discutiram os caminhos para viabilizar o acesso ao medicamento no Brasil.
Um dos principais pontos levantados foi a limitação de acesso devido ao alto custo e às barreiras relacionadas à patente. A empresa detentora da tecnologia firmou acordos de licença voluntária com fabricantes de genéricos para distribuição em mais de 100 países, mas o Brasil não está incluído nesse grupo.
Segundo participantes do debate, essa exclusão ocorre mesmo com a participação de brasileiros em estudos clínicos que contribuíram para a aprovação do medicamento, o que reforça a discussão sobre equidade no acesso.
Instrumentos legais em debate
Organizações da sociedade civil, como Médicos Sem Fronteiras (MSF), defenderam que o país utilize mecanismos legais já previstos para ampliar o acesso a tecnologias de saúde consideradas estratégicas. Entre eles, estão instrumentos como o licenciamento compulsório e outras salvaguardas de interesse público.
Essas medidas permitem, em situações específicas, a produção ou aquisição de medicamentos sem a necessidade de autorização do detentor da patente, especialmente em contextos de interesse coletivo e saúde pública.
Impacto na prevenção ao HIV
Especialistas destacam que o lenacapavir pode representar um avanço significativo na prevenção ao HIV, sobretudo por reduzir a dependência de esquemas diários e ampliar a adesão entre populações mais vulneráveis.
O debate no Congresso ocorre em um momento em que o Brasil busca atualizar suas estratégias de enfrentamento à doença, mantendo o histórico de políticas públicas voltadas ao acesso universal ao tratamento e à prevenção.
A decisão sobre a eventual incorporação do medicamento ao SUS ainda depende de análises técnicas e econômicas, além de negociações envolvendo custo, produção e acesso.
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