Mundo • 13:25h • 25 de junho de 2026
Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188% em um ano no Brasil
Casos registrados pelo Ligue 180 saltaram de 5,7 mil para 16,7 mil entre janeiro e maio. Governo atribui aumento à maior confiança no canal de denúncias e ao fortalecimento do atendimento às vítimas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
As denúncias de violência contra mulheres em ambientes digitais aumentaram 188,6% no Brasil em apenas um ano, segundo dados divulgados pelo Ministério das Mulheres. Entre janeiro e maio de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 16.725 denúncias desse tipo de violência, contra 5.795 ocorrências no mesmo período de 2025.
O crescimento dos registros revela uma realidade cada vez mais presente na vida de mulheres e meninas: o uso de redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos on-line e outras plataformas digitais para praticar ameaças, perseguições, humilhações, chantagens, intimidações, exposição indevida de imagens e outras formas de violência.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o aumento das denúncias pode indicar uma redução da subnotificação. Segundo ela, mais mulheres estão confiando nos canais de atendimento e se sentindo seguras para relatar situações de violência.
A ministra destacou que conhecer a dimensão real do problema é fundamental para a criação de políticas públicas eficazes. Ela também atribuiu o aumento dos registros ao aprimoramento do atendimento oferecido pelo Ligue 180, que passou a acolher e orientar melhor as vítimas.
Com o avanço dos casos de violência digital, o Ministério das Mulheres e a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República promoveram a capacitação de cerca de 350 atendentes da Central de Atendimento à Mulher. O treinamento ocorreu entre os dias 9 e 22 de junho e teve como foco a identificação e o encaminhamento adequado de denúncias relacionadas a crimes praticados no ambiente virtual.
Segundo a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, embora a central já recebesse esse tipo de denúncia, a atualização dos protocolos busca oferecer orientações mais precisas às vítimas e tornar o atendimento mais eficiente diante das novas formas de violência.
Além da qualificação das equipes, o sistema de registro do Ligue 180 foi atualizado para incluir categorias específicas relacionadas à violência digital, permitindo um monitoramento mais detalhado dos casos.
Atualmente, a Central de Atendimento à Mulher registra cerca de 3 mil ocorrências por dia. Aproximadamente 30% dos atendimentos resultam em denúncias formais, enquanto os demais envolvem pedidos de informação e orientação.
Os dados mostram ainda que a violência digital passou da sétima para a quinta posição entre os tipos de violência mais denunciados ao Ligue 180 entre 2025 e 2026.
O perfil das vítimas revela que quase metade das denúncias registradas no ano passado envolvia mulheres negras, sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas. As mulheres brancas representaram 34,2% dos casos. A faixa etária mais afetada foi a de 35 a 44 anos, responsável por 21,6% das denúncias. Considerando mulheres entre 25 e 49 anos, elas representam mais da metade dos registros.
O levantamento também aponta vulnerabilidade econômica entre as vítimas. Quase metade das mulheres que denunciaram violência digital não possui renda própria ou recebe até um salário mínimo. Além disso, 25,7% tinham ensino médio completo.
As ações de capacitação e atualização do atendimento seguem as diretrizes do Decreto nº 12.976/2026, que entrou em vigor na última semana e estabelece medidas para prevenir e combater a violência contra mulheres na internet.
A nova regulamentação define responsabilidades para plataformas digitais e cria mecanismos de proteção às vítimas. Entre as medidas está a obrigação de remoção, em até duas horas, de imagens íntimas divulgadas sem consentimento. O decreto também equipara imagens falsas de nudez produzidas por inteligência artificial, conhecidas como “deep nudes”, às imagens reais para fins de proteção das vítimas.
De acordo com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, a iniciativa busca garantir que mulheres possam exercer plenamente sua liberdade de expressão e participação nos ambientes digitais sem serem afastadas pela violência.
As medidas integram o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio e fortalecem a rede de proteção às mulheres em ambientes físicos e virtuais.
Para ampliar a conscientização sobre o tema, o Ministério das Mulheres lançou a campanha nacional “O Digital é Nosso Lugar”, com o slogan “Nossa Conexão é Livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180”, incentivando a denúncia e o combate à violência digital em todo o país.
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