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Segurança Pública • 10:46h • 10 de março de 2026

Depois do pedido de socorro: os bastidores da rede que protege a mulher em São Paulo

Programas especializados das Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica acompanham vítimas desde a ligação ao 190 até a responsabilização do agressor

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Secretaria de Segurança de SP | Foto: Arquivo Âncora1

No estado de São Paulo, o atendimento a mulheres e crianças vítimas de violência começa na escuta — muitas vezes ainda na ligação ao 190 — e se desdobra em uma rede especializada das Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica. Um trabalho que vai além do protocolo e transforma técnica em cuidado.
No estado de São Paulo, o atendimento a mulheres e crianças vítimas de violência começa na escuta — muitas vezes ainda na ligação ao 190 — e se desdobra em uma rede especializada das Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica. Um trabalho que vai além do protocolo e transforma técnica em cuidado.

O pedido de ajuda pode percorrer a cidade por uma ligação telefônica, chegar a uma sala reservada de delegacia ou acontecer em um espaço acolhedor do Instituto Médico-Legal (IML), durante a realização de um exame de corpo de delito.

No estado de São Paulo, o atendimento a mulheres e crianças vítimas de violência começa muitas vezes já na chamada ao 190 e segue por uma rede especializada formada pelas Polícias Militar, Civil e Técnico-Científica. Mais do que cumprir protocolos, o trabalho envolve escuta, acolhimento e atenção ao contexto vivido pela vítima.

Policiais que atuam nesse atendimento afirmam que a atuação exige sensibilidade e empatia. Além do procedimento técnico, é necessário compreender a realidade e a dor da pessoa que busca ajuda, oferecendo escuta ativa e apoio sem julgamentos.

Do pedido de “pizza” ao exame pericial

O primeiro passo é entender qual tipo de violência aquela mulher enfrenta. Na Cabine Lilás, instalada no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), as policiais analisam cada ocorrência com atenção.

Quando uma vítima liga para o 190 relatando agressão ou ameaça, a ligação pode ser direcionada às profissionais do programa. Em alguns casos, a vítima precisa usar estratégias discretas para pedir ajuda, como simular um pedido de comida. Nessas situações, as policiais precisam agir com rapidez, mas também com cautela para não colocar a vítima em risco.

Nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), o atendimento ocorre principalmente de forma presencial, embora também possa ser realizado pela internet. O trabalho, porém, não se limita ao registro da ocorrência ou à solicitação de medidas protetivas. As equipes também avaliam a situação da vítima e oferecem suporte para garantir sua segurança.

Há casos em que a mulher não pode retornar para casa após denunciar o agressor. Nessas situações, as equipes podem ajudar a recuperar pertences essenciais, verificar se ela possui rede de apoio ou encaminhá-la para serviços de acolhimento, antes de dar continuidade aos procedimentos legais contra o agressor.

Em muitos casos, a vítima também precisa passar por exame no IML. Para garantir mais privacidade, foi criada a Sala Lilás, um espaço reservado para mulheres e crianças realizarem exames periciais relacionados a casos de violência.

Os laudos produzidos nesses atendimentos são importantes para comprovar as agressões e contribuir para a responsabilização judicial do agressor. Além disso, o ambiente reservado evita que a vítima tenha contato com outras situações delicadas, como familiares de pessoas falecidas ou até mesmo com o próprio agressor.

O impacto em quem realiza o atendimento

Trabalhar diretamente com casos de violência também transforma a vida das profissionais que atuam nessa rede de proteção. Muitas relatam que a experiência influencia até a forma como enxergam relações pessoais e familiares.

O contato frequente com histórias de violência faz com que policiais e peritas passem a identificar sinais que muitas vezes antecedem a agressão física, como controle sobre roupas, maquiagem, dinheiro, amizades ou contato com familiares.

Esse tipo de comportamento, segundo as profissionais, pode ser o início de um processo de isolamento que torna a vítima cada vez mais dependente do agressor — um dos fatores que tornam o enfrentamento da violência doméstica tão complexo.

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