Política • 14:25h • 10 de outubro de 2026
Deputada mais jovem do Brasil denuncia ameaças de morte e estupro após receber 524 mil votos
Ana Elisa, de 21 anos, também relata ataques racistas e exposição de dados pessoais; deputada federal eleita por Minas Gerais terá escolta armada
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Reprodução/Instagram
A deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual recebidas durante a campanha eleitoral de 2026. Eleita por Minas Gerais com 524.219 votos, a jovem afirma ter sido alvo de mensagens racistas e misóginas, além da divulgação de informações pessoais, incluindo endereço residencial, telefone e documentos. O caso ganhou repercussão nacional na quinta-feira (8), quando foram divulgadas novas informações sobre as ameaças e as medidas adotadas para sua proteção.
Segundo Ana Elisa, as mensagens incluem ameaças de estupro e ataques direcionados à sua condição de mulher negra. Diante da gravidade das intimidações, o Partido dos Trabalhadores contratou segurança armada para acompanhá-la. “Chegando em Minas Gerais, já terei escolta”, declarou a deputada eleita.
A jovem já havia publicado nas redes sociais imagens de um e-mail recebido em 5 de setembro. Na mensagem, o remetente afirmava integrar a Ku Klux Klan, organização supremacista branca historicamente associada ao racismo e à violência. O texto continha ameaças de violência sexual e manifestações de intolerância à presença de mulheres negras em espaços de poder.
O episódio foi comunicado às autoridades policiais. As informações divulgadas até o momento não identificam os responsáveis pelas ameaças.
Ana Elisa fez história nas eleições de 2026
Natural de Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais, Ana Elisa conquistou 524.219 votos e tornou-se a segunda candidata mais votada do estado para a Câmara dos Deputados, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).
O resultado também garantiu à jovem dois marcos eleitorais. Aos 21 anos, tornou-se a mulher mais jovem já eleita deputada federal no Brasil e a candidata mulher com maior votação da história de Minas Gerais para a Câmara.
Estudante de Direito, Ana Elisa trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). Em um vídeo publicado nas redes sociais, contou que seu primeiro contato com a política ocorreu quando começou a frequentar um sindicato acompanhada da mãe.
A jovem ganhou projeção nacional com vídeos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação. Durante a campanha, aproximou-se de 2 milhões de seguidores no Instagram e, após a eleição, ultrapassou a marca de 3 milhões.
Violência política contra mulheres cresceu 11 vezes em quatro anos
As ameaças relatadas por Ana Elisa ocorrem em um cenário de aumento dos registros de violência política de gênero no Brasil. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os casos cresceram 11 vezes entre 2022 e 2026.
No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE um documento reunindo denúncias de agressões contra mulheres que disputaram cargos nas eleições deste ano. Os relatos incluem violência física, ataques verbais, ameaças de morte e de estupro.
A violência política de gênero pode envolver ações destinadas a intimidar, constranger ou dificultar a participação de mulheres na vida pública e no exercício de seus direitos políticos. As denúncias podem ser encaminhadas às autoridades policiais, ao Ministério Público Eleitoral e a outros órgãos competentes.
Saiba onde denunciar violência política contra mulheres
Mulheres que enfrentam ameaças, intimidações ou outras formas de violência política, assim como pessoas que tenham conhecimento dessas situações, podem procurar os canais institucionais de atendimento e denúncia.
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, com serviço gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia. Também recebe contatos pelo WhatsApp (61) 9610-0180, e-mail: central180@mulheres.gov.br e videochamada em Libras.
- Ministério Público: denúncias podem ser encaminhadas à Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público ou à Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal.
- Conselho Nacional de Justiça: atendimento pela Ouvidoria Nacional da Mulher.
- Polícia Federal: comunicação de crimes pelo canal Comunica PF ou presencialmente nas delegacias.
- Defensoria Pública da União: orientação e assistência jurídica por meio do Grupo de Trabalho Mulheres.
Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
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