Saúde • 16:44h • 18 de maio de 2026
Desafio dos bancos de leite é conscientizar lactantes a doar excedente
Rio de Janeiro sedia de 18 a 21 congresso para debater o tema
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, ligada à Fundação Oswaldo Cruz, promove entre segunda-feira (18) e quarta-feira (21), no Rio de Janeiro, o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano.
Com o tema “15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência”, o encontro celebra os 15 anos do Dia Mundial de Doação de Leite Humano e propõe debates sobre os avanços, desafios e perspectivas da mobilização internacional em torno da doação de leite humano, considerada essencial para a recuperação de recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados.
O Brasil conta atualmente com mais de 230 bancos de leite humano e é reconhecido internacionalmente por possuir a maior e mais complexa rede desse tipo no mundo.
A coordenadora da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e do Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira, Danielle Aparecida da Silva, afirma que um dos principais desafios ainda é conscientizar mulheres lactantes sobre a importância de doar o excesso de leite materno. Segundo ela, muitas mães acabam descartando o leite excedente sem saber que ele pode salvar vidas.
Os bancos de leite humano prestam assistência às mulheres durante o período de amamentação, além de coletar, processar e distribuir o leite doado para bebês prematuros e recém-nascidos de baixo peso. Apesar disso, a quantidade arrecadada ainda não é suficiente para atender toda a demanda.
Danielle explica que as doações costumam diminuir após o mês de maio, principalmente durante férias e festas de fim de ano. Ao mesmo tempo, períodos de inverno aumentam as internações de bebês por doenças respiratórias, elevando a necessidade de leite humano nos hospitais.
Segundo a coordenadora, o leite doado funciona não apenas como alimento, mas também como recurso terapêutico, ajudando na imunidade, no desenvolvimento e na recuperação mais rápida dos bebês internados.
Nos últimos anos, as doações cresceram cerca de 8%, mas o aumento ainda é considerado insuficiente. O Distrito Federal já alcançou autossuficiência na coleta de leite humano, conseguindo atender todos os bebês que necessitam do alimento. Rio Grande do Sul e Santa Catarina também avançam nesse processo.
Já nas regiões Norte e Nordeste, a estrutura ainda é limitada. Em muitos estados existe apenas um banco de leite humano. No Rio de Janeiro, a rede conta com 17 unidades espalhadas pela capital, região metropolitana e cidades do interior, como Petrópolis, Nova Friburgo, Campos e Volta Redonda. Mesmo assim, o volume de doações permanece estável e, em alguns períodos, chega a cair.
Danielle também destacou avanços alcançados pela rede nos últimos anos, especialmente durante a pandemia de covid-19. Na época, foi criado um edital internacional para escolha do slogan das campanhas do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, aberto à participação da sociedade.
A iniciativa recebeu propostas de diversos países e consolidou um modelo que continua sendo utilizado até hoje. O primeiro slogan escolhido durante a pandemia foi: “A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança”.
Há quatro décadas, o Brasil desenvolve soluções inovadoras para bancos de leite humano por meio da Fiocruz. O país se tornou referência internacional na área, atuando em parceria com os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, além da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.
A Fiocruz abriga o único Centro Colaborador da OPAS/OMS para Bancos de Leite Humano no mundo, coordenando ações de qualificação e fortalecimento de redes internacionais.
O Dia Mundial de Doação de Leite Humano passou a ser celebrado em 19 de maio após definição durante congresso realizado no Brasil em 2010. Desde então, a data vem sendo adotada por diversos países como forma de incentivar a doação e ampliar o debate público sobre o tema.
Durante o congresso no Rio de Janeiro, especialistas, pesquisadores, gestores públicos e representantes de organismos internacionais irão discutir temas como os impactos da pandemia de covid-19, mudanças climáticas, emergências sanitárias, crises humanitárias e estratégias globais voltadas à saúde materno-infantil e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
O evento será realizado em formato híbrido no Hotel Windsor Guanabara, no centro do Rio, com transmissão online pelo canal oficial da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano no YouTube.
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