Saúde • 08:53h • 17 de julho de 2026
Descarte de lixo hospitalar entra no radar da fiscalização e exige mais cuidado de clínicas e consultórios
Regras sanitárias e ambientais reforçam a responsabilidade de pequenos estabelecimentos na destinação correta de resíduos contaminantes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O descarte de resíduos de serviços de saúde deixou de ser uma preocupação restrita a grandes hospitais. Clínicas médicas, consultórios odontológicos, laboratórios, farmácias e outros estabelecimentos de pequeno porte passaram a enfrentar uma fiscalização mais rigorosa sobre o manejo de materiais potencialmente contaminantes, exigindo protocolos claros, rastreabilidade e capacitação das equipes.
A mudança acompanha o aumento da produção desse tipo de resíduo no país. Segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o Brasil gera mais de 307 mil toneladas de resíduos de serviços de saúde por ano, incluindo materiais hospitalares, medicamentos, resíduos laboratoriais e perfurocortantes.
Descarte inadequado aumenta riscos
Embora existam normas específicas para o gerenciamento desses resíduos, especialistas alertam que muitos estabelecimentos ainda tratam o descarte apenas como uma etapa operacional, sem considerar os riscos sanitários, ambientais e ocupacionais envolvidos.
Para a especialista em compliance regulatório e ambiental Renata Machado Lima Donnici, a segurança começa nas rotinas diárias das equipes. "O gerenciamento correto dos resíduos vai muito além da documentação. Estamos falando de prevenção de acidentes, proteção dos profissionais, rastreabilidade e responsabilidade sanitária", explica.
Segundo ela, práticas aparentemente simples continuam sendo responsáveis por parte dos acidentes registrados em ambientes de saúde. Um exemplo é recolocar a tampa em agulhas após o uso, procedimento que aumenta significativamente o risco de perfurações e contaminações.
Segurança e meio ambiente caminham juntos
Além de proteger profissionais e pacientes, o gerenciamento adequado dos resíduos também evita impactos ambientais.
Quando materiais contaminantes são descartados de forma incorreta, existe risco de contaminação do solo, da água e de comprometimento ambiental, exigindo tratamentos específicos para impedir que esses resíduos cheguem ao meio ambiente.
Por isso, o cumprimento das normas sanitárias passou a fazer parte da gestão da qualidade dos serviços de saúde.
Cultura de prevenção
Com experiência na implantação de protocolos regulatórios na indústria farmacêutica, Renata afirma que a tendência é de fortalecimento da cultura de segurança, especialmente entre os pequenos geradores de resíduos.
Segundo ela, treinamento contínuo, definição de procedimentos e conscientização das equipes são medidas que reduzem riscos e contribuem para o funcionamento seguro dos estabelecimentos.
"O descarte correto deixou de ser apenas uma obrigação legal. Hoje ele faz parte da qualidade da assistência prestada e da responsabilidade ambiental de cada instituição de saúde", destaca.
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