Saúde • 14:13h • 18 de abril de 2026
Desinformação sobre câncer de pele afeta diagnóstico, diz instituição
Segundo pesquisadores, falta informação nos bancos de dados oficiais
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Pesquisadores da Fundação do Câncer apontam que os bancos de dados oficiais sobre a doença no Brasil apresentam falhas importantes que dificultam o diagnóstico precoce e o tratamento. Apenas em 2023, o câncer de pele foi responsável por 5.588 mortes no país.
A análise, baseada em dados dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade, identificou lacunas relevantes para a formulação de políticas públicas. Entre elas, destacam-se a ausência de informações sobre raça e cor da pele em mais de 36% dos casos e sobre escolaridade em cerca de 26%.
De acordo com o epidemiologista Alfredo Scaff, coordenador do estudo, esses dados são fundamentais, especialmente em um país com alta incidência de radiação ultravioleta. Segundo ele, informações mais completas poderiam orientar ações de prevenção e contribuir para a detecção e o tratamento precoces, reduzindo diagnósticos tardios.
A Região Sudeste concentra os maiores índices de ausência de dados sobre raça/cor da pele, tanto nos casos de câncer de pele não melanoma (66,4%) quanto de melanoma (68,7%), o que dificulta análises mais precisas sobre desigualdades raciais. Já a região Centro-Oeste apresenta maior falta de informações sobre escolaridade, com 74% nos casos de não melanoma e 67% nos de melanoma.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é o mais frequente no Brasil. Os tipos mais comuns são os carcinomas basocelular e espinocelular, enquanto o melanoma, embora mais raro, é mais agressivo e tem maior potencial de disseminação.
A estimativa é de que, entre 2026 e 2028, o país registre anualmente cerca de 263 mil novos casos de câncer de pele não melanoma e mais de 9 mil de melanoma. A maior concentração deve ocorrer na região Sul, que já apresenta as maiores taxas de mortalidade por melanoma, especialmente entre homens.
Dados do estudo indicam que, entre 2014 e 2023, foram registrados mais de 452 mil casos da doença no Brasil. O câncer de pele é mais comum em pessoas acima dos 50 anos. O tipo não melanoma atinge mais homens, enquanto o melanoma afeta ambos os sexos.
A principal causa da doença é a exposição à radiação ultravioleta. O risco varia conforme a cor da pele, sendo maior em pessoas de pele clara, e depende da intensidade e da frequência da exposição ao sol. Outros fatores incluem histórico familiar, presença de pintas irregulares, queimaduras solares ao longo da vida e exposição ocupacional ou ambiental a agentes nocivos.
O pesquisador alerta que o risco não está restrito à exposição em praias. Profissionais que trabalham ao ar livre, como garis, policiais, trabalhadores da construção civil e do setor agrícola, estão mais vulneráveis e devem adotar medidas de proteção, como uso de protetor solar, roupas adequadas, chapéus e óculos com proteção UV.
Ele também chama atenção para o perigo de fontes artificiais de radiação, como câmaras de bronzeamento. Exposições intensas e intermitentes, especialmente com queimaduras solares na infância e adolescência, aumentam o risco de melanoma, enquanto a exposição contínua está mais associada aos cânceres de pele não melanoma.
O Ministério da Saúde informou que está analisando os resultados do estudo e ainda não se manifestou oficialmente sobre as conclusões apresentadas.
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