Saúde • 10:26h • 17 de junho de 2026
Desinformação sobre saúde mental cresce nas redes sociais e preocupa especialistas
Estudo internacional revela alta circulação de conteúdos incorretos sobre transtornos mentais em plataformas digitais. Especialistas alertam para os riscos de autodiagnósticos e destacam o papel dos profissionais de saúde no combate à desinformação
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1
Uma revisão sistemática realizada pela Universidade de East Anglia e publicada no periódico científico The Journal of Social Media Research acendeu um alerta sobre a qualidade das informações relacionadas à saúde mental compartilhadas nas redes sociais. O levantamento, considerado o primeiro de grande escala a comparar conteúdos sobre neurodivergências e transtornos mentais em diferentes plataformas digitais, identificou elevados índices de desinformação, especialmente no TikTok.
A pesquisa analisou mais de 5 mil publicações em redes como TikTok, YouTube, Facebook, Instagram e X (antigo Twitter), abordando temas como autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), depressão, ansiedade e outros transtornos psicológicos. Os resultados mostram que, em alguns recortes, mais da metade dos conteúdos avaliados continha informações incorretas ou enganosas.
Entre as plataformas analisadas, o TikTok apresentou os índices mais preocupantes. Segundo o estudo, 52% dos vídeos sobre TDAH continham informações imprecisas, enquanto 41% dos conteúdos relacionados ao autismo apresentavam erros ou interpretações equivocadas. Em comparação, o YouTube registrou cerca de 22% de desinformação, enquanto o Facebook apresentou os melhores resultados, com menos de 15% de conteúdos considerados incorretos.
De acordo com os pesquisadores, os algoritmos das redes sociais tendem a favorecer publicações que geram maior engajamento em curto prazo, o que contribui para a rápida disseminação de conteúdos sensacionalistas ou sem respaldo científico. Esse cenário favorece a propagação de informações simplificadas, diagnósticos equivocados e promessas de soluções rápidas para questões complexas relacionadas à saúde mental.
O impacto desse fenômeno é especialmente preocupante entre jovens, que frequentemente recorrem às redes sociais para buscar explicações para sintomas emocionais e comportamentais. Especialistas alertam que conteúdos incorretos podem estimular autodiagnósticos, atrasar a procura por atendimento profissional e até levar à adoção de tratamentos inadequados.
Além dos prejuízos individuais, a desinformação também contribui para a disseminação de estigmas e interpretações distorcidas sobre transtornos mentais já amplamente estudados pela ciência. Isso pode dificultar o acesso ao diagnóstico correto e comprometer o tratamento de pessoas que realmente necessitam de acompanhamento especializado.
Nesse contexto, profissionais de saúde têm papel fundamental na orientação da população. Entre eles, os farmacêuticos se destacam por serem um dos profissionais mais acessíveis à comunidade, atuando frequentemente como primeiro ponto de contato para pessoas que buscam esclarecimentos sobre medicamentos, sintomas e tratamentos.
Na área da saúde mental, a atuação farmacêutica inclui a orientação sobre o uso correto de medicamentos, a prevenção da automedicação e o esclarecimento sobre possíveis efeitos adversos. O profissional também auxilia na identificação de informações falsas ou sem respaldo científico que circulam nas redes sociais, ajudando os pacientes a tomar decisões mais seguras sobre sua saúde.
Outra função importante é a promoção da educação em saúde. Durante atendimentos e consultas farmacêuticas, é possível orientar os usuários sobre a importância de buscar informações em fontes confiáveis e consultar profissionais qualificados antes de iniciar qualquer tratamento. O farmacêutico também pode identificar sinais de sofrimento emocional e encaminhar o paciente para avaliação médica ou psicológica quando necessário.
Especialistas defendem que o enfrentamento da desinformação em saúde mental exige uma combinação de ações, incluindo o fortalecimento da comunicação científica, a educação digital da população e o incentivo à busca por informações em canais oficiais. Nesse processo, profissionais de saúde, instituições de pesquisa e plataformas digitais têm papel estratégico para garantir que conteúdos confiáveis alcancem mais pessoas e contribuam para decisões baseadas em evidências científicas.
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