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Saúde • 10:53h • 28 de dezembro de 2025

Dezembro Vermelho tem avanços no combate ao HIV, mas reforça desafios para 2026

Prevenção, testagem, novas terapias e redução do estigma seguem como pilares para conter a epidemia no Brasil

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Textual Comunicação | Foto: Divulgação

Do diagnóstico ao tratamento, o que mudou na luta contra a AIDS
Do diagnóstico ao tratamento, o que mudou na luta contra a AIDS

O mês de dezembro se despede, mas o alerta do Dezembro Vermelho permanece atual. Criada para marcar o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, celebrado em 1º de dezembro, a mobilização vai além de uma data simbólica. Ela reforça a necessidade contínua de prevenção, diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e enfrentamento do estigma que ainda cerca o HIV no Brasil.

Neste contexto, a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) destaca o papel estratégico da ciência, das políticas públicas e da comunicação qualificada para consolidar os avanços conquistados e enfrentar os desafios que persistem. Segundo a entidade, o país vive um momento paradoxal: resultados expressivos no tratamento convivem com desigualdades no acesso à prevenção e à testagem.

De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2024, o Brasil já superou a meta internacional de diagnóstico definida pelo UNAIDS, identificando 96% das pessoas que vivem com HIV. No tratamento, 82% estão em terapia antirretroviral e, entre elas, 95% alcançaram a supressão viral, condição em que o vírus se torna indetectável e não transmissível por via sexual.

Apesar desses avanços, os números mostram que a epidemia segue concentrada em populações específicas. A maioria dos novos casos ocorre entre homens, pessoas pretas e pardas, jovens de 15 a 34 anos e homens que fazem sexo com homens. Em 2023, foram registrados mais de 46 mil novos diagnósticos de HIV e cerca de 10 mil mortes por AIDS, o que reforça a importância de manter políticas públicas robustas e atualizadas.

Tratamento mais simples, vida mais longa

Um dos marcos recentes no cuidado às pessoas vivendo com HIV foi a ampliação do acesso à terapia dupla de dose única no Sistema Único de Saúde. O Ministério da Saúde passou a incluir pessoas com mais de 35 anos nos critérios de migração para o esquema que combina lamivudina e dolutegravir em um único comprimido diário.

Isso significa menos comprimidos, menor toxicidade, menos interações medicamentosas e maior adesão ao tratamento. Atualmente, cerca de 850 mil pessoas estão em terapia antirretroviral no Brasil, e a expectativa é que mais de 70 mil sejam beneficiadas com essa ampliação. Especialistas reforçam que tratamentos mais simples impactam diretamente a qualidade de vida e ajudam a acompanhar o envelhecimento acelerado observado em pessoas que vivem com HIV.

Prevenção avança, mas ainda não chega a todos

No campo da prevenção, a PrEP oral segue como uma das estratégias mais eficazes para reduzir novas infecções. O número de usuários no Brasil mais que dobrou nos últimos dois anos, ultrapassando 100 mil pessoas. Ainda assim, o acesso permanece desigual, especialmente em municípios menores e entre mulheres cis, mulheres trans, jovens e populações negras periféricas.

A PrEP injetável, com aplicação bimestral, surge como uma alternativa promissora para ampliar a adesão, sobretudo entre pessoas que enfrentam dificuldades com o uso diário de comprimidos. A SPI avalia que essa inovação pode representar um divisor de águas, desde que seja incorporada de forma planejada, equitativa e integrada à atenção básica.

Outro tema em debate é a DoxyPEP, estratégia de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis como sífilis e clamídia após a exposição sexual. Estudos internacionais indicam redução significativa dessas infecções, mas especialistas defendem que sua adoção no Brasil seja baseada em evidências, com monitoramento rigoroso da resistência bacteriana.

Testar continua sendo essencial

A testagem é outro ponto sensível da resposta ao HIV. Dados globais indicam que os testes caíram cerca de 22% em relação ao período pré-pandemia, o que ameaça reverter avanços das últimas décadas. Estima-se que 16% das pessoas vivendo com HIV no mundo ainda desconheçam sua condição.

A ampliação dos autotestes surge como estratégia central para enfrentar esse cenário. Soluções que permitem testagem rápida, privada e confiável ajudam a reduzir o estigma e facilitam o diagnóstico precoce, especialmente entre pessoas que evitam serviços de saúde tradicionais. Empresas como a Abbott têm investido em tecnologias que ampliam o acesso e fortalecem a vigilância epidemiológica, contribuindo para a detecção de novas cepas e para a resposta global ao vírus.

Dezembro termina, a luta continua

Para a SPI, o encerramento do Dezembro Vermelho não marca o fim da mobilização, mas reforça a urgência de manter o tema em pauta durante todo o ano. Combater o HIV exige mais do que medicamentos: envolve educação, combate ao preconceito, ampliação da testagem, inovação tecnológica e políticas públicas que cheguem a quem mais precisa.

A entidade ressalta que a resposta brasileira ao HIV é reconhecida internacionalmente, mas só seguirá avançando se houver compromisso contínuo com equidade, ciência e solidariedade. O desafio para 2026 é transformar avanços técnicos em acesso real, garantindo que prevenção, diagnóstico e tratamento caminhem juntos, sem deixar ninguém para trás.

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