Cultura e Entretenimento • 07:22h • 12 de março de 2026
Dia do bibliotecário destaca papel estratégico dos profissionais na era da inteligência artificial
Data celebrada em 12 de março reforça a importância de quem organiza, valida e democratiza o acesso à informação em meio ao crescimento do conteúdo digital
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Celebrado nesta quinta-feira, 12 de março, o Dia do Bibliotecário convida a sociedade a olhar além das estantes e reconhecer o papel estratégico desses profissionais na organização e validação do conhecimento. Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela circulação massiva de conteúdos digitais e pelo aumento da desinformação, o trabalho do bibliotecário ganha novo protagonismo na mediação da informação e na promoção do acesso qualificado ao saber.
A data homenageia Manuel Bastos Tigre (1882 -1957), considerado o primeiro bibliotecário concursado do Brasil. Poeta, publicitário e intelectual atuante, ele dirigiu a Biblioteca Central da então Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, contribuindo para consolidar a Biblioteconomia como campo profissional no país. O dia 12 de março foi oficializado como Dia do Bibliotecário pelo Decreto nº 84.631.

Ao contrário do imaginário popular que associa o bibliotecário apenas ao trabalho silencioso entre prateleiras de livros, a atuação desse profissional envolve hoje diversas áreas estratégicas ligadas à informação. Segundo a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8), Ana Cláudia Martins, a formação permite que o bibliotecário atue em atividades como organização da informação, curadoria digital, preservação de acervos e estratégias de busca e recuperação de dados.
Esses profissionais estão presentes em bibliotecas públicas, escolares e universitárias, mas também em hospitais, tribunais, empresas privadas, editoras, museus, centros culturais e instituições de pesquisa, ampliando o acesso à informação qualificada em diferentes ambientes da sociedade.
Bibliotecas como espaços de acolhimento e transformação social
Nos últimos anos, as bibliotecas passaram por profundas transformações. De espaços voltados principalmente à guarda de livros, tornaram-se ambientes de convivência, aprendizado e inclusão social.
Em muitas comunidades brasileiras, especialmente em regiões com poucos equipamentos culturais, a biblioteca pública representa um dos principais pontos de acesso à leitura, à internet e a atividades educativas. Além do empréstimo de livros, esses espaços promovem projetos culturais, ações de incentivo à leitura e atividades voltadas à formação cidadã.

Um exemplo frequentemente citado é o da escritora Luciene Müller, que viveu nas ruas de São Paulo entre os 4 e os 11 anos de idade. Foi em uma biblioteca que ela encontrou um espaço de acolhimento e descobriu o gosto pela leitura. Com o incentivo de bibliotecárias, desenvolveu sua escrita e, anos depois, publicou o livro Colo Invisível, no qual relata como o acesso aos livros e ao apoio humano contribuiu para transformar sua trajetória.
Mediação da informação na era da inteligência artificial
O avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial ampliou o acesso à informação, mas também trouxe novos desafios relacionados à verificação de fontes e à circulação de conteúdos falsos.
Nesse contexto, o bibliotecário passa a exercer uma função cada vez mais relevante como mediador do conhecimento. O profissional atua na organização de grandes volumes de dados, na avaliação da confiabilidade de fontes e na orientação de usuários para uma navegação mais segura no ambiente digital.

Se no passado o principal desafio era catalogar e preservar acervos físicos, hoje a atuação inclui também a gestão de informações digitais, a curadoria de conteúdos e o incentivo ao uso ético e responsável da informação.
Programação marca a data no estado de São Paulo
Para celebrar o Dia do Bibliotecário, o Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8) preparou uma programação especial em diferentes cidades do estado. As atividades ocorrem em São José do Rio Preto, São Paulo, Piracicaba e Pindamonhangaba, reunindo profissionais da área, estudantes e interessados no tema.
Na capital paulista, o evento será realizado na Biblioteca Mário de Andrade e contará com palestra do padre Júlio Lancellotti. Recentemente, o sacerdote participou da criação da primeira biblioteca voltada à população em situação de rua na cidade de São Paulo, iniciativa que busca ampliar o acesso à leitura e à informação para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Durante o encontro também será lançada uma campanha de arrecadação de produtos de higiene destinada a apoiar as ações sociais desenvolvidas pelo religioso.

Para a presidente do CRB-8, o tema escolhido para as discussões deste ano reforça o papel das bibliotecas públicas como espaços de acolhimento, formação e cidadania. Ela destaca que esses ambientes são equipamentos culturais fundamentais para a construção de uma sociedade mais crítica e bem informada, e que o fortalecimento de políticas públicas voltadas às bibliotecas é essencial para garantir o acesso democrático ao conhecimento.
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