Saúde • 16:01h • 26 de março de 2026
Dia Mundial da Epilepsia reforça que doença tem tratamento e pode ser controlada
Especialista alerta que desinformação ainda atrasa diagnósticos e que até 70% dos pacientes podem ficar sem crises com tratamento adequado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Divulgação
O Dia Mundial da Epilepsia, celebrado nesta quinta-feira, 26 de março, reforça a importância de combater mitos e ampliar a informação sobre a doença, que ainda é cercada por estigma social. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a desinformação segue como um dos principais fatores que atrasam a busca por atendimento médico.
A epilepsia é uma condição neurológica caracterizada por crises recorrentes causadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 50 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo. No Brasil, a estimativa é de aproximadamente 2 milhões de pacientes.
De acordo com a neurologista Dra. Nely Sartori, do Hospital Regional de Assis, o preconceito tem raízes históricas e ainda impacta diretamente a vida de quem convive com a condição. Ela explica que, durante séculos, a epilepsia foi associada a medo, superstição e ideias equivocadas, como a falsa noção de contágio.
Esse cenário ainda se reflete atualmente. Segundo a especialista, o estigma pode levar pacientes a esconderem o diagnóstico ou adiarem o início do tratamento, o que afeta desde a vida escolar até a inserção no mercado de trabalho.
Outro ponto de alerta é a dificuldade de identificação dos sintomas. Nem todas as crises são convulsivas. Em muitos casos, podem se manifestar como episódios breves de ausência, olhar fixo, confusão, movimentos automáticos ou sensações incomuns, o que faz com que sejam confundidas com distração ou ansiedade.
O diagnóstico correto é determinante para o controle da doença. Segundo a médica, até 70% das pessoas com epilepsia podem ficar sem crises quando recebem o tratamento adequado e seguem corretamente as orientações médicas.
Por outro lado, a interrupção do tratamento aumenta o risco de complicações, incluindo internações e até morte súbita associada à condição.
Saber como agir durante uma crise também é fundamental. A orientação é afastar objetos que possam causar ferimentos, proteger a pessoa de traumas, marcar o tempo da crise e afrouxar roupas apertadas. Após o episódio, o paciente deve ser colocado de lado para facilitar a respiração.
A especialista reforça que algumas práticas comuns são perigosas, como colocar objetos na boca, tentar puxar a língua, oferecer líquidos ou imobilizar a pessoa durante a crise. O serviço de emergência deve ser acionado em casos de duração superior a cinco minutos, crises repetidas ou quando se trata do primeiro episódio.
Para a neurologista, ampliar o acesso à informação é essencial para reduzir o preconceito e melhorar o cuidado. Ela destaca que a epilepsia tem tratamento e que, com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes pode ter qualidade de vida e controle das crises.
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