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Variedades • 12:05h • 19 de agosto de 2026

Dia Mundial da Fotografia: você fotografa para lembrar ou por medo de esquecer?

No Dia Mundial da Fotografia, especialista explica quando o hábito de registrar momentos deixa de ser uma escolha e passa a funcionar como tentativa de aliviar inseguranças

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lettera | Foto: Âncora1

 O hábito com o celular pode dizer mais sobre ansiedade do que parece
O hábito com o celular pode dizer mais sobre ansiedade do que parece

Abrir a galeria do celular é encontrar muito mais do que lembranças de viagens, festas e pessoas queridas. Fotos de documentos, telas, produtos, informações e centenas de registros que talvez nunca sejam vistos novamente também fazem parte da rotina. No Dia Mundial da Fotografia, celebrado nesta quarta-feira, 19 de agosto, a relação entre esse comportamento e a ansiedade chama atenção para uma pergunta: fotografamos porque queremos lembrar ou porque temos medo de esquecer?

Segundo a psiquiatra e psicoterapeuta Renata Covre, da Hapvida, que também é fotógrafa, a quantidade de imagens armazenadas não determina, sozinha, se existe algum problema. O mais importante é perceber a função que a fotografia passou a desempenhar no cotidiano.

“Fotografar, por si só, não é um problema. Hoje a câmera do celular também funciona como uma espécie de memória auxiliar. O que começa a chamar atenção é quando deixa de ser uma escolha e vira quase uma necessidade”, explica.

Quando registrar passa a trazer alívio

Fazer dezenas ou centenas de fotografias pode ser perfeitamente compatível com um hobby, profissão ou preferência pessoal. O sinal de atenção aparece quando não conseguir registrar determinada situação provoca desconforto, insegurança ou ansiedade.

O celular pode favorecer esse comportamento porque oferece uma resposta imediata à busca por certeza. A pessoa fotografa ou confere algo, sente alívio e pode passar a repetir a ação sempre que uma nova dúvida surge. Nesse caso, o registro deixa de servir apenas como lembrança e começa a funcionar como tentativa de controlar a incerteza.

Também existe um paradoxo. Ao tentar preservar cada detalhe para o futuro, é possível reduzir a atenção dedicada ao presente. Em um show, por exemplo, escolher enquadramentos, gravar vídeos e conferir constantemente o resultado das imagens pode disputar espaço com a própria experiência.

“Uma fotografia pode ajudar a guardar uma experiência. O problema é quando a preocupação em guardar se torna tão grande que quase não sobra espaço para viver aquilo que queremos guardar”, resume Renata.

Milhares de imagens que quase nunca voltamos a ver

A fotografia também pode ter o efeito oposto e aumentar a atenção aos detalhes, especialmente para quem gosta da atividade. Observar luzes, expressões e cenas antes despercebidas pode tornar o olhar mais atento. A diferença está em conseguir escolher quando fotografar e quando simplesmente viver o momento.

Outro fenômeno comum está no acúmulo. Nunca foi tão fácil produzir milhares de imagens, mas muitas permanecem esquecidas na memória do aparelho. Para tornar os registros mais significativos, a especialista sugere selecionar fotografias, organizar álbuns, imprimir algumas delas ou revê-las com outras pessoas.

Nem toda lembrança, porém, cabe em uma câmera. Conversas, músicas, cheiros, sensações e emoções também participam da construção da memória e dependem da atenção dedicada à experiência.

Quando o hábito merece atenção

Não existe um número de fotografias considerado saudável ou excessivo. O principal sinal está na perda da liberdade de escolher, especialmente quando o comportamento começa a consumir muito tempo ou provocar sofrimento.

Segundo a especialista, vale buscar ajuda profissional quando a pessoa sente forte angústia por não conseguir fotografar ou conferir algo, precisa repetir registros para aliviar ansiedade ou percebe prejuízos em compromissos, relações e atividades cotidianas.

A reflexão proposta no Dia Mundial da Fotografia, portanto, não é abandonar a câmera do celular, mas observar a relação construída com ela. Entre registrar tudo e não registrar nada, pode existir espaço para escolher quais momentos merecem uma fotografia e quais serão guardados apenas pela experiência de vivê-los.

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