Saúde • 18:29h • 04 de março de 2026
Dia Mundial da Obesidade: excesso de peso já está ligado a 13 tipos de câncer
Mais de 61% dos adultos brasileiros estão acima do peso e condição já responde por parcela relevante dos casos de câncer no país
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Digital Trix | Foto: Arquivo/Âncora1
Celebrado nesta quarta-feira, 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade chama atenção para um problema crescente de saúde pública. No Brasil, o excesso de peso já está associado a uma parcela significativa dos casos de câncer e especialistas alertam para os impactos da obesidade tanto no surgimento quanto no tratamento da doença.
Dados do sistema Vigitel mostram que 61,4% da população adulta das capitais brasileiras está acima do peso, enquanto a obesidade atinge cerca de 26% dos brasileiros, o equivalente a aproximadamente 41 milhões de pessoas. As projeções indicam que, nas próximas duas décadas, quase metade da população adulta poderá viver com obesidade.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o excesso de peso já está relacionado a uma parcela relevante dos diagnósticos da doença no país. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 13 em cada 100 casos de câncer no Brasil estão associados ao excesso de gordura corporal.
A Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à OMS, reconhece a associação entre obesidade e pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo tumores de mama, cólon e reto, endométrio, ovário, fígado, pâncreas, rim, esôfago, vesícula biliar, estômago, tireoide, além de mieloma múltiplo e meningioma.
De acordo com especialistas, o impacto vai além do acúmulo de peso. O oncologista Mauro Donadio, da Oncoclínicas, explica que o tecido adiposo interfere em diversos processos do organismo. “O tecido adiposo produz substâncias inflamatórias e altera o equilíbrio hormonal do organismo. Esse ambiente metabólico favorece a proliferação celular e pode contribuir para o desenvolvimento e a progressão de tumores”, afirma.
Entre os mecanismos biológicos envolvidos estão alterações hormonais, aumento de substâncias inflamatórias, resistência à insulina e redução de mecanismos naturais de defesa do organismo contra tumores, criando um ambiente mais propício ao surgimento da doença.
A obesidade também pode afetar o tratamento oncológico. Pacientes com excesso de peso apresentam, em média, maior risco de recidiva após tratamento, além de enfrentarem mais dificuldades durante o cuidado médico, como complicações pós-operatórias, maior toxicidade em quimioterapia e resposta menos eficaz a alguns tratamentos.
Outro ponto observado por especialistas é a sarcopenia, condição caracterizada pela perda de massa muscular. Quando associada à obesidade, ela pode piorar o prognóstico e impactar diretamente a qualidade de vida do paciente.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de estratégias de prevenção. A epidemia de obesidade está relacionada principalmente a mudanças no padrão alimentar e no estilo de vida, com aumento do consumo de produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas e alimentos industrializados, além da redução da atividade física.
Para Donadio, o enfrentamento da obesidade precisa ser tratado como prioridade em saúde pública. “Controlar o peso não é apenas uma questão estética. É uma estratégia concreta de prevenção do câncer e de melhora dos resultados para quem já enfrenta a doença”, afirma.
Especialistas defendem que políticas públicas voltadas à alimentação saudável, regulação de produtos ultraprocessados, incentivo à atividade física e promoção de ambientes mais saudáveis são fundamentais para conter o avanço da obesidade no país.
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