Saúde • 07:01h • 22 de julho de 2026
Dia Mundial do Cérebro: acesso ao tratamento neurológico ainda é desafio para milhões de pessoas
Campanha mundial de 2026 destaca a importância do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso aos tratamentos; cannabis medicinal faz parte do debate
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Onix Press | Foto: Arquivo/Âncora1
Celebrado nesta quarta-feira (22), o Dia Mundial do Cérebro traz neste ano o tema "Saúde do Cérebro: Acesso para Todos", escolhido pela Federação Mundial de Neurologia (WFN). A campanha chama atenção para um problema que afeta milhões de pessoas: o acesso desigual ao diagnóstico e ao tratamento de doenças neurológicas, que ainda chega tarde ou sequer alcança grande parte da população.
Segundo a WFN, mais de 3,4 bilhões de pessoas convivem atualmente com algum transtorno neurológico, tornando essas condições a principal causa de incapacidade no mundo. Para enfrentar esse cenário, a entidade definiu cinco prioridades para 2026: ampliar a equidade no atendimento, incentivar o diagnóstico precoce, fortalecer ações de prevenção, expandir a atenção neurológica nas comunidades e transformar a conscientização em políticas públicas.
Cannabis medicinal ganha espaço nas discussões
Dentro desse debate, a cannabis medicinal aparece como uma das alternativas terapêuticas para determinadas condições neurológicas.
Dados do Anuário 2025 da Kaya Mind apontam que mais de 873 mil brasileiros utilizam produtos à base de cannabis, principalmente para tratamento de epilepsia refratária, dor crônica e sintomas relacionados a doenças neurodegenerativas.
Apesar do crescimento, especialistas afirmam que o acesso ainda enfrenta obstáculos importantes, como custo, disponibilidade dos produtos e acesso a profissionais capacitados para prescrever e acompanhar o tratamento.
Segundo a médica Mariana Maciel, brasileira radicada no Canadá e responsável pelo desenvolvimento da tecnologia Power Nano™, ampliar o acesso continua sendo um dos maiores desafios.
"Saúde do cérebro para todos não é só uma frase bonita, é uma meta que esbarra em coisa concreta: fila de espera, custo do tratamento, distância até um especialista. A cannabis medicinal pode fazer parte da solução, mas só se o paciente conseguir de fato chegar até ela", afirma.
Tecnologia busca aumentar a absorção dos medicamentos
Uma das inovações citadas no debate é a utilização da nanotecnologia para aumentar a absorção dos princípios ativos da cannabis pelo organismo.
Segundo a Thronus Medical, empresa responsável pela tecnologia Power Nano™, a redução do tamanho das partículas e sua encapsulação em solução hidrossolúvel podem elevar significativamente a biodisponibilidade dos fitocanabinoides em comparação aos óleos convencionais.
Mariana Maciel ressalta, porém, que a tecnologia não elimina a necessidade de acompanhamento médico.
Ela explica que reduzir a dose necessária pode representar um avanço, mas não substitui a prescrição adequada, o acompanhamento profissional e o acesso a informações confiáveis durante todo o tratamento.
Tratamento depende de avaliação médica
Especialistas destacam que a cannabis medicinal possui evidências científicas para algumas condições específicas, como epilepsia refratária, enxaqueca, esclerose múltipla, doença de Parkinson, doença de Alzheimer e outras doenças neurológicas, sempre conforme indicação médica.
O tratamento não tem como objetivo curar essas doenças, mas pode contribuir para o controle de sintomas e para a melhora da qualidade de vida em determinados pacientes.
Antes de iniciar qualquer terapia, a orientação é procurar um médico habilitado, apresentar o histórico de saúde e seguir acompanhamento contínuo para definir o produto, a dosagem e a forma de administração mais adequados para cada caso.
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