Saúde • 21:49h • 10 de maio de 2026
Dia Mundial do Lúpus reforça alerta sobre doença autoimune que afeta principalmente mulheres
Condição crônica pode atingir órgãos vitais, tem sintomas variados e exige acompanhamento contínuo para evitar complicações
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo
Celebrado neste domingo (10), junto ao Dia das Mães, o Dia Mundial do Lúpus chama atenção para uma doença autoimune crônica que afeta milhões de pessoas no mundo e pode provocar impactos profundos na qualidade de vida. No Brasil, entre 150 mil e 300 mil pessoas convivem com o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), segundo estimativas do Ministério da Saúde.
A doença atinge principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, faixa etária considerada de maior incidência da enfermidade. O lúpus é caracterizado por uma resposta desregulada do sistema imunológico, que passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo.
Por ser uma doença multissistêmica, o lúpus pode comprometer pele, articulações, rins, pulmões, coração, sangue e até o sistema nervoso, tornando o diagnóstico e o acompanhamento mais complexos.
Sintomas variam e dificultam diagnóstico
Entre os sintomas mais comuns estão fadiga intensa, febre sem causa aparente, dores articulares, queda de cabelo, feridas na boca e manchas na pele agravadas pela exposição ao sol.
A diversidade de manifestações costuma dificultar a identificação da doença, já que muitos sinais podem ser confundidos com outros problemas de saúde.
Segundo o coordenador técnico da Amparo Saúde, Leonardo Demambre Abreu, a combinação de sintomas é um dos principais pontos de atenção durante a investigação clínica. “O que costuma chamar a atenção do médico de família e comunidade é a combinação de sintomas que, isoladamente, poderiam parecer inespecíficos”, explica.
De acordo com o especialista, exames laboratoriais como hemograma, análise da função renal, urina e testes imunológicos ajudam na investigação, mas não fecham o diagnóstico de forma isolada. “O diagnóstico depende da soma de evidências clínicas e laboratoriais”, afirma.
Dia Mundial do Lúpus alerta para doença autoimune que atinge principalmente mulheres
Controle da doença depende de acompanhamento contínuo
Embora ainda não exista cura definitiva, o lúpus pode ser controlado com tratamento adequado e acompanhamento médico regular.
As estratégias variam conforme os órgãos afetados e a gravidade da doença, incluindo uso de protetor solar, medicamentos antimaláricos, corticoides e imunossupressores em casos mais graves.
A exposição solar excessiva é considerada um dos fatores que podem desencadear ou agravar crises, motivo pelo qual a fotoproteção diária é uma das recomendações mais importantes para pacientes diagnosticados.
Especialistas também orientam medidas como não fumar, manter vacinação atualizada, controlar o estresse, dormir adequadamente e praticar atividades físicas respeitando os limites do organismo.
Atenção integrada ajuda a reduzir complicações
Segundo Leonardo Demambre Abreu, o acompanhamento ideal envolve atuação conjunta entre médico de família e reumatologista. Enquanto o especialista conduz o tratamento específico da doença autoimune, a Atenção Primária acompanha a saúde geral do paciente, monitora possíveis complicações e ajuda no controle de fatores associados.
“Mesmo quando o lúpus está controlado, o paciente precisa de acompanhamento contínuo, com monitoramento clínico, exames periódicos, avaliação de função renal, controle cardiovascular, atualização vacinal, orientação sobre exposição solar, saúde mental e atenção aos efeitos colaterais dos medicamentos”, destaca.
Por alternar períodos de remissão e reativação, o lúpus exige vigilância constante e cuidado prolongado para preservar a qualidade de vida dos pacientes.
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