Saúde • 13:38h • 12 de março de 2026
Dia mundial do rim expõe tamanho da fila no Brasil; 44 mil pacientes aguardam por transplantes
Demanda por rim representa cerca de 92% da lista nacional de espera por órgãos e evidencia desafios no acesso a tratamentos e políticas de prevenção
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Vodox Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Mais de 44 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante renal no Brasil, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). O número corresponde a aproximadamente 92% de toda a lista nacional de espera por órgãos, consolidando o rim como o órgão com maior demanda no país. O cenário ganha destaque na semana em que se celebra o Dia Mundial do Rim, em 12 de março.
A diferença em relação a outros transplantes é significativa. De acordo com o sistema nacional, 2.461 pacientes aguardam por um fígado, 471 esperam por um coração, 398 aguardam transplante combinado de pâncreas e rim e 259 estão na fila por um pulmão.
Entre os estados brasileiros, São Paulo concentra o maior número de pessoas aguardando por um rim. Atualmente, 21.556 pacientes estão cadastrados no sistema de transplantes no estado, que reúne parte expressiva da demanda nacional.
A principal condição associada à necessidade de transplante é a insuficiência renal crônica, doença caracterizada pela perda gradual da capacidade dos rins de filtrar resíduos e excesso de líquidos do sangue. De acordo com o boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no Brasil é de 6,7% entre adultos, percentual que pode triplicar entre pessoas com 60 anos ou mais.
O impacto da doença também se reflete no número de pessoas que dependem de tratamento contínuo. Atualmente, cerca de 170 mil pacientes realizam diálise no país. Desse total, aproximadamente 79% dependem exclusivamente do atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Demanda por transplante renal cresce e ultrapassa 44 mil pacientes no país | Fonte: SNT/Power BI
Além da fila por transplantes, o debate sobre o tratamento da doença renal também envolve a discussão sobre acesso a novas terapias. O Ministério da Saúde decidiu não incorporar à rede pública o medicamento finerenona, utilizado para proteger a função renal de pacientes com diabetes tipo 2 que já apresentam comprometimento dos rins.
O medicamento é indicado para reduzir a progressão da doença renal e também pode diminuir o risco de agravamento da insuficiência cardíaca e de morte por causas cardiovasculares. A decisão reacendeu discussões sobre a incorporação de tecnologias no sistema público de saúde e sobre políticas voltadas à prevenção da progressão da doença renal.
Na avaliação de especialistas em direito médico, a análise sobre a inclusão de novos tratamentos no sistema público precisa considerar princípios constitucionais relacionados ao direito à saúde. A Constituição brasileira estabelece que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, o que implica a adoção de políticas públicas capazes de reduzir riscos, evitar o agravamento de doenças e ampliar o acesso a tratamentos.
Nesse contexto, medidas que retardem a evolução da insuficiência renal podem contribuir para reduzir hospitalizações e diminuir a necessidade de tratamentos mais complexos, como a diálise ou o próprio transplante.
O aumento da fila por transplantes renais reforça a importância de políticas de prevenção, diagnóstico precoce e ampliação do acesso a tratamentos que possam retardar a progressão da doença renal crônica no país.
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