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Saúde • 16:50h • 15 de junho de 2026

Diagnosticar cardiopatias congênitas cedo aumenta qualidade de vida

Cerca de 30 mil crianças nascem por ano no Brasil com esse problema

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

A médica destaca que os pacientes com cardiopatias estão cada vez mais sobrevivendo, trabalhando e tendo uma vida normal, com acompanhamento médico.
A médica destaca que os pacientes com cardiopatias estão cada vez mais sobrevivendo, trabalhando e tendo uma vida normal, com acompanhamento médico.

Cerca de 30 mil crianças nascem todos os anos no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A condição, caracterizada por alterações na estrutura do coração que se desenvolvem ainda durante a gestação, está entre as principais causas de mortalidade infantil associadas a malformações, tornando o diagnóstico precoce e o tratamento especializado fundamentais para aumentar as chances de sobrevivência e garantir melhor qualidade de vida aos pacientes.

Especialistas apontam que o acesso ao diagnóstico vem avançando no país, embora ainda existam diferenças regionais. Em áreas mais desenvolvidas, como a Região Sudeste, o acesso aos exames e ao tratamento costuma ser maior do que em regiões mais distantes dos grandes centros. Ainda assim, a ampliação da rede de atendimento tem permitido que mais crianças sejam identificadas e acompanhadas desde os primeiros meses de vida.

As cardiopatias congênitas englobam diferentes tipos de alterações cardíacas, com níveis variados de gravidade. Algumas exigem intervenção imediata após o nascimento, enquanto outras podem apresentar sintomas apenas anos depois. Estima-se que cerca de 1% dos bebês nascidos vivos no mundo apresentem algum tipo de cardiopatia congênita, sendo que aproximadamente 30% necessitam de cuidados especializados ainda na primeira infância.

O diagnóstico pode ocorrer durante a gestação, por meio de exames específicos realizados no pré-natal. Nesses casos, a identificação precoce permite que médicos e familiares planejem adequadamente o parto e o atendimento do recém-nascido. Quando há risco de complicações logo após o nascimento, o bebê pode ser encaminhado diretamente para unidades hospitalares preparadas para procedimentos de alta complexidade, como cirurgias cardíacas ou cateterismos.

Nem sempre, porém, a cardiopatia é detectada antes do parto. Por isso, pais e responsáveis devem ficar atentos a sinais que podem indicar problemas cardíacos nos primeiros meses de vida. Dificuldade para ganhar peso, cansaço durante as mamadas, respiração acelerada ou dificuldade para respirar são alguns dos sintomas que merecem avaliação médica. Em casos mais graves, a criança pode apresentar coloração arroxeada nos lábios e nas extremidades do corpo devido à baixa oxigenação do sangue.

Já em crianças maiores e adolescentes, sintomas como dor no peito, palpitações ou cansaço excessivo durante atividades físicas também podem indicar alterações cardíacas que necessitam de investigação especializada.

Diagnóstico precoce amplia chances de vida normal

Os avanços da medicina têm permitido que a maioria das crianças diagnosticadas com cardiopatia congênita alcance a vida adulta com boa qualidade de vida. Em muitos casos, um único procedimento é suficiente para corrigir o problema. Em situações mais complexas, pode ser necessário realizar diferentes cirurgias ao longo da infância e adolescência.

Atualmente, pacientes com cardiopatias congênitas vivem mais, estudam, trabalham, praticam atividades físicas e constituem família. O acompanhamento médico contínuo permanece importante, especialmente porque, com o avanço da idade, essas pessoas também passam a enfrentar doenças comuns da vida adulta, como hipertensão arterial e colesterol elevado.

A trajetória de Nathan Senna Alves é um exemplo dessa evolução. Diagnosticado com uma cardiopatia congênita grave logo após o nascimento, ele passou por três cirurgias cardíacas ao longo da vida, a primeira aos dois anos de idade e as outras durante a infância e juventude. Hoje, aos 30 anos, leva uma vida normal, é casado, pai de um filho e continua realizando acompanhamento médico regular.

Histórias como essa reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado. Nas últimas três décadas, instituições especializadas e serviços públicos de saúde têm contribuído para ampliar o atendimento e melhorar os resultados clínicos de milhares de crianças com a condição.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o acompanhamento começa ainda durante a gestação. Entre os principais recursos disponíveis estão o ecocardiograma fetal, recomendado entre a 24ª e a 28ª semana de gravidez para identificar possíveis alterações cardíacas antes do nascimento, e o Teste do Coraçãozinho, exame obrigatório realizado nas maternidades entre 24 e 48 horas após o parto para detectar cardiopatias críticas.

Quando o diagnóstico é confirmado, a criança é encaminhada para a rede especializada do SUS, onde pode receber acompanhamento clínico, exames, procedimentos e cirurgias de alta complexidade sem custos para a família. Especialistas destacam que, quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as chances de tratamento bem-sucedido e de uma vida saudável para os pacientes.

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