Saúde • 13:47h • 18 de maio de 2026
Diarreia e dor abdominal acendem alerta para doenças intestinais
Campanha Maio Roxo alerta para diagnóstico precoce
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O mês de maio é marcado pela campanha Maio Roxo, iniciativa promovida pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia e outras instituições para conscientizar a população sobre as doenças inflamatórias intestinais. A ação busca ampliar a informação sobre essas condições, incentivar o diagnóstico precoce e reforçar a importância do tratamento adequado. No Brasil, estima-se que cerca de 0,1% da população conviva com algum tipo da doença.
As DIIs são inflamações intestinais crônicas que, em muitos casos, não têm uma causa totalmente definida. Entre as principais estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Ambas podem surgir em qualquer fase da vida, mas costumam ser mais frequentes em adultos entre 20 e 30 anos e também em idosos entre 60 e 70 anos.
Em entrevista ao programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional Amazônia, a médica Mariane Savio, integrante da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, alertou para a importância de reconhecer os sintomas e procurar avaliação médica especializada.
Segundo ela, sinais como diarreia persistente por mais de quatro semanas, dores abdominais frequentes, perda de peso e anemia precisam ser investigados para evitar a progressão silenciosa da doença.
Após a identificação dos sintomas, o paciente deve realizar exames complementares para confirmação do diagnóstico. A colonoscopia é um dos principais exames utilizados, mas também podem ser necessários exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética e ultrassonografia, especialmente quando o problema atinge o intestino delgado.
A especialista recomenda procurar um coloproctologista ou gastroenterologista e explica que as duas doenças possuem características diferentes. A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, provocando aftas, inflamações intestinais, fístulas e fissuras. Já a retocolite ulcerativa atinge apenas o reto e o cólon, afetando principalmente a mucosa intestinal.
Embora muitos tratamentos sejam semelhantes, alguns medicamentos são específicos para cada doença. Para Mariane Savio, uma das maiores dificuldades ainda é o acesso aos especialistas e aos exames necessários para o diagnóstico precoce. Em muitos locais do país, pacientes enfrentam filas de mais de um ano para realizar uma colonoscopia, o que pode comprometer o início do tratamento na fase mais favorável da doença.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais, incluindo o fornecimento de medicamentos. Em situações mais graves, pode ser necessária a utilização de bolsa de colostomia, dispositivo usado para coleta de fezes e gases.
Especialistas também observam o aumento dos casos dessas doenças em diferentes países e investigam possíveis fatores de risco relacionados ao estilo de vida, como estresse, consumo elevado de alimentos ultraprocessados e tabagismo. O controle desses fatores pode ajudar a reduzir o risco de desenvolvimento das inflamações intestinais.
Na ausência de um especialista, a orientação é procurar atendimento na atenção primária à saúde para iniciar a investigação o quanto antes e evitar complicações mais graves.
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