Saúde • 15:49h • 11 de fevereiro de 2026
Dificuldade de nomear emoções, o que é alexitimia e por que ela exige atenção clínica
Condição é comum em adultos com TDAH e Autismo, impacta relações, saúde mental e qualidade de vida, e exige diagnóstico adequado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da AF Conexão Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Dificuldade para reconhecer, organizar e expressar emoções, mesmo sentindo intensamente o que acontece internamente. Esse é o principal traço da alexitimia, condição frequente em adultos neurodivergentes, especialmente pessoas com TDAH e Autismo, e que costuma passar despercebida ou ser confundida com frieza emocional
Muitas pessoas chegam à vida adulta com a sensação constante de que algo não está bem, mas sem conseguir explicar o que sentem. Não se trata de ausência de emoções, e sim de dificuldade em identificá-las e nomeá-las. Esse fenômeno é conhecido como alexitimia.
Segundo o neurologista Matheus Trilico, referência no tratamento de adultos com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade e Autismo, a alexitimia não é um transtorno isolado, mas uma condição associada, bastante prevalente em pessoas neurodivergentes.
A pessoa sente, reage e sofre, mas não consegue organizar emocionalmente o que está acontecendo. Isso gera confusão interna, desgaste nos vínculos afetivos, dificuldades no trabalho e, em muitos casos, manifestações físicas sem causa médica aparente.
A alexitimia costuma se apresentar de forma silenciosa
Muitos adultos passam anos sendo interpretados como frios, distantes ou desinteressados, quando, na verdade, enfrentam limitações no acesso e na leitura das próprias emoções. Entre os principais sinais de alerta estão a dificuldade para identificar e nomear sentimentos, respostas emocionais consideradas fora de contexto, tendência excessiva à racionalização, desconforto em conversas emocionais, queixas físicas recorrentes e sensação de vazio ou desconexão emocional.
De acordo com o especialista, nos adultos com TDAH, a alexitimia pode se misturar à impulsividade e à desregulação emocional, dificultando ainda mais a percepção interna dos sentimentos. Já no Autismo, a condição está frequentemente associada a um processamento emocional diferente e à dificuldade de leitura interna e social.
Os impactos se estendem para diferentes áreas da vida. Relacionamentos afetivos, desempenho profissional e autocuidado costumam ser diretamente afetados. Muitos pacientes relatam perceber que estão tristes, ansiosos ou sobrecarregados apenas quando o corpo já apresenta sinais de exaustão, como dores, insônia ou crises de ansiedade.
A alexitimia também pode contribuir para quadros de ansiedade, depressão, burnout e isolamento social, não por falta de desejo de vínculo, mas pela dificuldade de acessar e comunicar emoções.
Existe tratamento
Segundo o neurologista, existe tratamento, e o primeiro passo é o diagnóstico correto, que envolve avaliação neurológica criteriosa e, muitas vezes, acompanhamento multidisciplinar.
O manejo da condição inclui psicoeducação, para que o paciente compreenda como seu funcionamento neurológico influencia as emoções, psicoterapia com foco no reconhecimento e na expressão emocional, estratégias de regulação emocional e, quando indicado, tratamento medicamentoso, especialmente nos casos em que a alexitimia está associada ao TDAH.
A condição não define quem a pessoa é. Com acompanhamento adequado, é possível desenvolver repertório emocional, melhorar a comunicação, fortalecer vínculos e ampliar a qualidade de vida. Falar sobre alexitimia é abrir espaço para mais empatia, acolhimento e caminhos reais de cuidado para adultos que passaram anos tentando sentir do jeito que conseguiam.
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