Saúde • 12:21h • 11 de julho de 2026
Disbiose ou outro problema? Alerta para riscos do autodiagnóstico nas redes sociais
Inchaço, fadiga, gases e intestino preso podem ter diversas causas; nutricionista explica por que nem todo desconforto está ligado à microbiota intestinal
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação
Inchaço abdominal, gases, fadiga constante, intestino preso, acne, dificuldade para perder peso e alterações de humor passaram a ser frequentemente associados à chamada disbiose nas redes sociais. O aumento do interesse pela saúde intestinal acompanha o avanço das pesquisas sobre a microbiota, mas especialistas alertam que o autodiagnóstico baseado em vídeos curtos pode atrasar a identificação de outras doenças e levar a tratamentos inadequados.
Segundo a nutricionista Bruna Makluf, diretora de Nutrição da WeFit, a microbiota intestinal exerce um papel importante no organismo, mas o conceito de disbiose vem sendo simplificado de forma equivocada.
"Muitas pessoas chegam ao consultório dizendo que descobriram que têm disbiose porque sentiram inchaço ou porque viram um vídeo que descrevia exatamente os mesmos sintomas. O problema é que alterações intestinais podem ter inúmeras causas. Nem todo desconforto está relacionado à microbiota e nem toda microbiota diferente representa uma doença", afirma.
Nem todo sintoma indica disbiose
O intestino abriga trilhões de microrganismos que participam da digestão, do funcionamento do sistema imunológico e da comunicação entre intestino e cérebro. Alterações nesse ecossistema podem ocorrer por diversos fatores, como alimentação, estresse, qualidade do sono e uso de medicamentos.
No entanto, especialistas ressaltam que ainda não existe uma composição considerada ideal para todas as pessoas e que o diagnóstico deve considerar a história clínica, os hábitos e outros fatores individuais.
Segundo Bruna, um dos principais riscos é iniciar dietas restritivas, eliminar grupos alimentares ou consumir probióticos sem orientação profissional.
Quando é importante procurar avaliação médica
Embora desconfortos digestivos ocasionais sejam comuns, alguns sintomas merecem investigação quando persistem por semanas ou passam a interferir na qualidade de vida.
Entre os principais sinais de alerta estão dor abdominal recorrente, alterações persistentes do funcionamento intestinal, perda de peso sem explicação, presença de sangue nas fezes e sintomas que continuam mesmo após mudanças na alimentação.
De acordo com a nutricionista, exames devem ser solicitados apenas quando existe indicação clínica e sempre como complemento da avaliação profissional.
Hábitos continuam sendo a principal estratégia
Apesar da popularização dos probióticos e suplementos nas redes sociais, especialistas afirmam que os maiores benefícios para a microbiota continuam relacionados ao estilo de vida.
Uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, fibras e grãos integrais, associada à prática regular de atividade física, sono adequado e menor consumo de alimentos ultraprocessados, permanece entre as recomendações mais importantes para favorecer a saúde intestinal.
Segundo Bruna Makluf, o avanço da medicina personalizada mostra que pessoas com sintomas semelhantes podem apresentar causas completamente diferentes para seus desconfortos, reforçando a importância de avaliações individualizadas.
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