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Mundo • 07:23h • 26 de maio de 2026

Divórcio não apaga o trabalho doméstico, e Justiça pode garantir direitos às donas de casa

Especialistas explicam que cuidados com a família e administração da rotina do lar também são reconhecidos como contribuição patrimonial no casamento

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Dona de casa também tem direitos no divórcio, mesmo sem salário, explicam especialistas
Dona de casa também tem direitos no divórcio, mesmo sem salário, explicam especialistas

Muitas mulheres que dedicaram anos ao cuidado da casa e da família ainda chegam ao divórcio acreditando que não possuem direitos por não terem renda formal ou carteira assinada. Especialistas em Direito de Família alertam, no entanto, que o trabalho doméstico é reconhecido pela Justiça como contribuição efetiva para a construção do patrimônio do casal, o que pode garantir participação na divisão de bens e até direito à pensão em determinadas situações.

O tema continua gerando dúvidas principalmente em relações de longa duração, onde uma das partes abriu mão da carreira profissional para assumir integralmente a rotina doméstica, os cuidados com filhos e a organização da vida familiar enquanto o outro cônjuge mantinha atividade remunerada.

Segundo Davi Mendes, coordenador do curso de Direito Privado e Legal Tech da UNI7, a análise sobre divisão patrimonial depende diretamente do regime de bens adotado pelo casal durante o casamento ou união estável. “Em relação à divisão, é importante saber qual o regime de bens do casamento e da união estável do casal, pois vai depender se existe um patrimônio comum a ser partilhado. Em regra, no Brasil, o regime é o da comunhão parcial, caso as partes não optem por outro tipo”, explica.

Trabalho doméstico também gera direito patrimonial

No regime de comunhão parcial de bens, normalmente utilizado quando o casal não escolhe outro modelo formalmente, os bens adquiridos após o início da relação costumam integrar o patrimônio comum do casal, independentemente de quem gerava renda diretamente.

Segundo o especialista, isso significa que o trabalho doméstico também passa a ser entendido como contribuição relevante dentro da construção patrimonial da família. “Se for o caso de um regime da comunhão parcial, ela tem direito à metade do patrimônio comum. Isso representa, de modo geral, os bens adquiridos após o casamento ou união estável, com algumas exceções legais pontuais”, afirma.

Por outro lado, Mendes ressalta que existem situações em que a divisão patrimonial não ocorre da mesma maneira, como nos casos de separação total de bens. “Porém, se tiver havido a opção das partes pelo regime da separação de bens, em regra, não haverá patrimônio comum. Ou seja, com o fim do casamento ou união estável, não haverá patrimônio a ser partilhado”, explica.

Pensão pode existir mesmo sem divisão de bens

Especialistas destacam que, mesmo quando não há patrimônio a dividir, o direito à pensão alimentícia pode ser analisado pela Justiça dependendo das circunstâncias da separação.

De acordo com Mendes, esse entendimento costuma aparecer principalmente em casos onde a mulher deixou o mercado de trabalho para se dedicar integralmente à família e encontra dificuldades para reconstruir autonomia financeira após o término da relação. “É importante ressaltar que, mesmo se não houver patrimônio comum por qualquer motivo, seja pelo regime de bens, pelos cônjuges ou companheiros não haverem constituído patrimônio, há a possibilidade da dona de casa fazer jus a uma pensão, caso tenha renunciado à sua vida profissional para se dedicar à vida doméstica”, afirma.

Segundo Davi, fatores como idade, tempo de casamento, condição financeira e possibilidade de reinserção profissional costumam influenciar diretamente na decisão judicial sobre duração e valor do benefício.

O tema ganhou ainda mais relevância nos últimos anos diante das discussões sobre valorização do trabalho invisível realizado dentro de casa, principalmente por mulheres que dedicaram décadas à organização da vida familiar sem remuneração formal.

Direito e tecnologia ampliam mudanças no setor jurídico

Em paralelo às transformações nas relações familiares, o setor jurídico também vive mudanças impulsionadas pela tecnologia. Esse cenário motivou o lançamento da pós-graduação em Direito Privado e Legal Tech da UNI7, curso voltado à integração entre fundamentos jurídicos e inovação tecnológica aplicada à prática profissional.

A especialização busca preparar profissionais para um ambiente jurídico cada vez mais impactado pela digitalização, automação e novas demandas relacionadas à tecnologia no Direito.

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