Política • 19:47h • 29 de outubro de 2026
Do New York Times ao The Guardian: o que a imprensa mundial publicou sobre a fuga de Flávio Bolsonaro
Senador contestou vitória de Lula, acusou instituições de fraude sem apresentar provas e anuncia oposição a partir dos Estados Unidos; PL, União Brasil, MDB e Tarcísio de Freitas reconhecem resultado das urnas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Reprodução/Redes Sociais
A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25 de outubro) ganhou repercussão internacional e aprofundou divergências entre lideranças da direita brasileira. Em uma carta divulgada nas redes sociais, o senador se autoproclamou presidente eleito, acusou instituições brasileiras de fraude eleitoral e anunciou que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. As declarações provocaram reações de partidos e políticos que apoiaram sua candidatura, mas reconheceram a legitimidade da vitória de Lula.
A movimentação de Flávio Bolsonaro começou a ser noticiada na última terça-feira (27), menos de 48 horas depois da votação. Segundo informações repercutidas pela agência Reuters e por jornais argentinos, o senador teria deixado o país pela fronteira com a Argentina e seguido para os Estados Unidos. O trajeto e as circunstâncias da viagem foram objeto de diferentes relatos na imprensa internacional.
O jornal argentino Infobae noticiou a suspeita de que Flávio teria embarcado com familiares em um avião particular na cidade de Puerto Iguazú. O governo argentino, porém, não confirmou essa versão. Já o New York Times destacou que a saída ocorreu após uma determinação judicial de apreensão do passaporte do senador.
O caso também foi abordado pelo espanhol El País e pelo britânico The Guardian, que relacionaram a viagem à recusa do candidato derrotado em reconhecer o resultado eleitoral. Flávio responde a dois processos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme informações da Agência Brasil.
Carta contesta eleição e apresenta Flávio como presidente eleito
Em um documento de três páginas divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro dirigiu-se aos brasileiros e à comunidade internacional apresentando-se como o verdadeiro vencedor da eleição presidencial.
Na carta, o senador agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio recebido. Também acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de irregularidades durante a votação, questionou decisões judiciais e defendeu a cassação da chapa Lula-Alckmin.
Entre as alegações, Flávio afirmou que uma decisão judicial teria alterado as condições da votação e permitido uma suposta fraude eleitoral. As acusações não foram acompanhadas de provas no documento. O próprio coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), reconheceu publicamente que não há provas de fraude no segundo turno.
Flávio também afirmou que deixou o Brasil para proteger sua família e negou estar fugindo da Justiça. No documento, declarou que pretende continuar sua atuação política do exterior e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição brasileira.
A carta ainda contém acusações contra integrantes do Judiciário e comparações de sua situação com a de lideranças políticas que atuaram no exílio. O senador chegou a se comparar a personagens históricos como Rui Barbosa e Charles de Gaulle, além de citar opositores de governos latino-americanos.
PL, União Brasil e MDB reconhecem vitória de Lula
A postura do senador encontrou resistência entre partidos que participaram de sua base de apoio eleitoral. O próprio Partido Liberal (PL), legenda de Flávio e do ex-presidente Jair Bolsonaro, reconheceu oficialmente o resultado que garantiu a reeleição de Lula.
O União Brasil também divulgou uma manifestação assinada pelo presidente nacional, Antonio Rueda, reafirmando o compromisso com a democracia e o respeito à decisão dos eleitores.
“A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura, e o seu resultado deve ser respeitado”, declarou o partido.
O MDB, que teve parte de suas lideranças apoiando Flávio durante a campanha, igualmente reconheceu a legitimidade do processo eleitoral e reafirmou sua confiança no sistema brasileiro de votação.
As manifestações contrastam com a posição apresentada na carta, na qual Flávio se declara vencedor e questiona a validade do pleito, apesar do reconhecimento do resultado por integrantes de seu próprio campo político.
Tarcísio defende respeito às urnas e oposição dentro do país
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se posicionou sobre a situação. Aliado de Flávio Bolsonaro durante a campanha, Tarcísio afirmou compreender a insatisfação do senador, mas defendeu que a oposição respeite o resultado eleitoral e concentre esforços na atuação política.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou o governador.
Outros nomes ligados à direita também criticaram a estratégia adotada pelo senador. O ex-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) questionou a decisão de liderar a oposição a partir dos Estados Unidos e classificou a iniciativa como uma atuação política a distância, utilizando a expressão “oposição EAD”.
Até mesmo o bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja frequentada por Flávio em Brasília, publicou uma manifestação defendendo o encerramento da disputa eleitoral e o respeito ao resultado.
A saída do país, as acusações apresentadas na carta e a recusa em reconhecer a derrota passaram, assim, a dividir o próprio campo político que apoiou Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026.

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