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Saúde • 16:01h • 05 de junho de 2026

Doença de Chagas volta a crescer no Brasil e acende alerta sobre contaminação por alimentos

Casos da doença quase quintuplicaram em dez anos no país; especialista explica por que transmissão oral preocupa cada vez mais

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da SemFronteiras Assessoria | Foto: Divulgação/Magnific

O “mal do barbeiro” voltou? Crescimento da doença de Chagas preocupa especialistas
O “mal do barbeiro” voltou? Crescimento da doença de Chagas preocupa especialistas

Durante muito tempo, a doença de Chagas foi tratada como um problema ligado ao passado rural brasileiro, associado ao barbeiro escondido em casas antigas e regiões afastadas dos grandes centros. Mas os números mais recentes mostram que a doença voltou a crescer no país e reacendeu um alerta entre médicos e autoridades de saúde.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, apontam que os registros passaram de 64 casos em 2013 para 292 em 2023. O aumento chama atenção justamente por envolver uma doença que, durante anos, era considerada relativamente controlada em boa parte do Brasil.

Segundo o cardiologista Vinicius Marques Rodrigues, do Órion Complex, em Goiânia, o avanço atual da doença está ligado principalmente a mudanças nas formas de transmissão. Se antes o barbeiro concentrava grande parte das infecções, hoje a contaminação alimentar passou a ocupar espaço importante nas notificações mais recentes.

Contaminação por alimentos preocupa especialistas

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido principalmente pelos insetos conhecidos como barbeiros. Tradicionalmente, a infecção acontece quando o inseto pica a pessoa e deixa fezes próximas ao local da picada. Ao coçar a região, o parasita pode entrar no organismo.

Com o avanço do controle sanitário, melhorias habitacionais e redução da presença do barbeiro em muitas regiões, os casos diminuíram ao longo das últimas décadas. Mas o cenário começou a mudar com o aumento das transmissões por via oral.

Segundo Vinicius, alimentos contaminados durante o preparo, armazenamento ou manipulação inadequada passaram a representar uma preocupação crescente dentro das notificações da doença no Brasil.

O médico explica que, além da transmissão alimentar, outras formas continuam sendo monitoradas pelas autoridades de saúde, como transfusão de sangue, transmissão congênita durante a gestação e acidentes laboratoriais.

Doença de Chagas volta a crescer no Brasil e especialistas ligam alerta para alimentos contaminados

Doença pode ficar silenciosa durante anos

Outro fator que preocupa especialistas é o comportamento silencioso da doença de Chagas. Estimativas citadas pelo Ministério da Saúde apontam que o Brasil pode ter atualmente entre dois e três milhões de pessoas infectadas, muitas delas sem diagnóstico.

Na fase inicial, os sintomas podem incluir febre, mal-estar, fraqueza, dores no corpo, inchaço e alterações na região da picada. Quando identificada precocemente, principalmente nos primeiros dias após a infecção, a doença possui possibilidade de cura.

O problema, segundo Vinicius, é que muitos casos passam despercebidos. O parasita pode permanecer no organismo por décadas sem apresentar sinais evidentes, até evoluir para quadros crônicos mais graves.

Nessa fase, a doença costuma atingir principalmente o coração, podendo provocar insuficiência cardíaca, alterações graves no funcionamento cardíaco e até risco de morte súbita.

Prevenção continua sendo principal forma de combate

O crescimento dos casos reforçou a necessidade de ampliar ações de prevenção, principalmente relacionadas à higiene alimentar e ao controle sanitário.

Entre as principais orientações estão cuidados no preparo dos alimentos, atenção à procedência de produtos consumidos, uso de telas e mosquiteiros em regiões mais vulneráveis e evitar consumo de carnes cruas ou mal cozidas.

Vinicius também defende o fortalecimento das políticas públicas voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença, especialmente em áreas de maior risco. Segundo ele, quanto mais cedo a doença é descoberta, maiores são as chances de tratamento eficaz e menores os riscos de evolução para complicações graves.

O avanço dos casos reacende um debate importante sobre uma doença que muitos brasileiros acreditavam estar restrita aos livros de história, mas que continua presente e desafiando a saúde pública em diferentes regiões do país.

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