Ciência e Tecnologia • 14:11h • 20 de fevereiro de 2026
Doença periodontal pode aumentar risco de infarto, diabetes e Alzheimer
Inflamações gengivais não tratadas podem desencadear complicações sistêmicas graves
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A inflamação das gengivas, muitas vezes ignorada por pacientes, pode estar associada a doenças cardiovasculares, descontrole do diabetes e até quadros de demência. O alerta é do dentista José Todescan Júnior, especialista em Prótese Dental pela USP e membro da International Federation of Esthetic Dentistry, que defende a prevenção periodontal como parte essencial da saúde integral.
Segundo ele, quadros inicialmente simples, como gengivite e periodontite, podem evoluir para complicações mais amplas quando não tratados. As bactérias presentes na cavidade oral podem atingir a corrente sanguínea e alcançar órgãos vitais, contribuindo para processos inflamatórios sistêmicos.
Estudos científicos reforçam essa conexão
Pesquisa publicada no Journal of Clinical Periodontology aponta que pacientes com periodontite severa apresentam risco até 25% maior de desenvolver doenças cardiovasculares. Já levantamento da Universidade de Nova York identificou associação entre patógenos orais e a progressão do Alzheimer.
O impacto não se restringe ao coração e ao cérebro. A periodontite pode dificultar o controle glicêmico em pessoas com diabetes, agravar quadros de artrite reumatoide e estar relacionada a partos prematuros e baixo peso ao nascer. De acordo com Todescan, a inflamação crônica funciona como gatilho que potencializa doenças pré-existentes ou favorece o surgimento de novos problemas.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal SB Brasil 2024 indicam que mais de 3,5 bilhões de pessoas no mundo convivem com problemas bucais e que cerca de 14 milhões de brasileiros vivem sem nenhum dente. Para o especialista, o cenário exige abordagem preventiva consistente.
Protocolos de prevenção
Entre as recomendações estão escovação adequada, uso diário de fio dental, alimentação equilibrada, interrupção do tabagismo e consultas odontológicas regulares. Ele ressalta que muitos pacientes procuram atendimento apenas quando surgem dor ou sangramento, fase em que o dano periodontal já pode estar instalado e, em casos avançados, provocar perda óssea irreversível.
O protocolo de prevenção inclui avaliação clínica periódica, exames complementares e orientações individualizadas. A atenção deve ser reforçada em fases como gestação e envelhecimento, quando a inflamação gengival pode estar associada a complicações obstétricas e maior vulnerabilidade a doenças respiratórias e cognitivas.
Para Todescan, a odontologia precisa atuar de forma integrada com outras especialidades médicas. A saúde bucal, afirma, não pode ser tratada como sistema isolado, mas como parte fundamental da prevenção de doenças que afetam todo o organismo.
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