Mundo • 18:29h • 29 de março de 2026
Domingo de Ramos tem restrição inédita em Jerusalém; Brasil condena ação com nota pública
Medida em Jerusalém gera críticas de autoridades religiosas e reação do governo brasileiro por possível violação à liberdade de culto
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Vaticano | Foto: Divulgação
A polícia israelense impediu, neste domingo, 29 de março, a entrada do cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e do Custódio da Terra Santa, padre Francesco Ielpo, na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, onde celebrariam a missa do Domingo de Ramos. O caso foi divulgado em comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa e ocorre em meio a restrições relacionadas ao atual contexto de conflito na região.
Segundo o comunicado, os dois líderes religiosos foram barrados durante o trajeto até o local, mesmo sem participação em procissão ou ato público. As instituições classificaram a medida como grave e desproporcional, destacando que se trata de um episódio sem precedentes recentes em uma das datas mais importantes do calendário cristão.
As entidades religiosas também apontaram que a decisão contraria princípios historicamente observados em Jerusalém, como o chamado “status quo” dos locais sagrados e a liberdade de culto. O episódio ocorre após semanas de restrições de acesso a fiéis cristãos e também a muçulmanos em outros pontos religiosos da cidade.
Polícia israelense impede missa no Santo Sepulcro e gera reação internacional | Santo Sepulcro/Vaticano
O Governo brasileiro se manifestou oficialmente e condenou a ação, afirmando que a medida representa violação à liberdade religiosa e ao equilíbrio histórico no acesso aos locais sagrados. Em nota, o Brasil destacou que as restrições recentes atingem diferentes grupos religiosos e reforçou preocupação com o cenário em Jerusalém Oriental.
Ainda de acordo com o comunicado das autoridades religiosas, esta é a primeira vez em séculos que líderes da Igreja são impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos no Santo Sepulcro, considerado um dos locais mais sagrados do cristianismo.
Apesar do impedimento, estava prevista para o mesmo dia uma oração pela paz no Monte das Oliveiras, conduzida pelo cardeal Pizzaballa. A cerimônia ocorre em um contexto de limitações impostas por questões de segurança, incluindo restrições à presença de imprensa e cancelamento de eventos tradicionais, como a procissão do Domingo de Ramos.
As lideranças religiosas expressaram preocupação com os impactos simbólicos e espirituais da decisão, especialmente durante o período da Semana Santa, que mobiliza milhões de fiéis ao redor do mundo. O episódio amplia a tensão em torno do acesso a locais sagrados em Jerusalém e reforça o debate internacional sobre liberdade de culto e restrições em áreas de conflito.
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