Variedades • 20:50h • 23 de junho de 2026
Doomscrolling: por que o cérebro insiste em consumir notícias ruins e como escapar desse ciclo
Hábito de rolar conteúdos negativos por longos períodos pode aumentar ansiedade, prejudicar o sono e afetar a saúde mental
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sherlock Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Você abre o celular para conferir uma notícia e, quando percebe, já passou vários minutos consumindo uma sequência de conteúdos preocupantes, negativos ou alarmantes. Esse comportamento, cada vez mais comum na era digital, recebeu um nome: doomscrolling, termo usado para descrever a rolagem compulsiva de notícias ruins na internet.
Segundo o psicólogo Craig Sawchuk, da Mayo Clinic, esse hábito não acontece por acaso. O cérebro humano é naturalmente atraído por novidades e possíveis ameaças, um mecanismo que ajudou a garantir a sobrevivência da espécie ao longo da história. O problema é que, no ambiente digital, essa característica pode se transformar em uma armadilha emocional.
O cérebro busca respostas, mas encontra mais preocupação
O fenômeno ganhou força durante a pandemia de Covid-19, quando milhões de pessoas passaram a acompanhar notícias constantemente em busca de informações que ajudassem a reduzir a sensação de incerteza.
No entanto, quanto mais conteúdo negativo era consumido, maior se tornava a necessidade de continuar procurando respostas. Em vez de aliviar a ansiedade, o excesso de informação frequentemente alimentava novas preocupações, criando um ciclo difícil de interromper.
Anos depois, mesmo com o fim da fase mais crítica da pandemia, muitas pessoas continuam reproduzindo esse comportamento diariamente.
Como o doomscrolling afeta a saúde mental
De acordo com o especialista, após alguns minutos consumindo conteúdos negativos, é comum que sentimentos como ansiedade, irritação, desânimo, impotência e preocupação se intensifiquem.
O problema é que, quando essas emoções surgem, o cérebro passa a buscar ainda mais conteúdos que reforcem essa visão negativa da realidade. É como se uma lente emocional fosse criada, fazendo com que a pessoa dê mais atenção às notícias ruins do que às positivas ou neutras.
Esse padrão pode contribuir para uma percepção distorcida do mundo, aumentando a sensação de insegurança e estresse.
Sono, relacionamentos e bem-estar também sofrem impacto
Os efeitos não ficam restritos ao humor. O doomscrolling frequentemente invade horários de descanso, principalmente durante a noite.
Muitas pessoas continuam navegando por redes sociais e portais de notícias mesmo após o horário planejado para dormir, reduzindo a qualidade do sono e aumentando o cansaço no dia seguinte.
Além disso, o tempo excessivo diante das telas pode diminuir momentos de convivência com amigos e familiares, reduzir a prática de atividades físicas e limitar o contato com ambientes externos, fatores importantes para o equilíbrio emocional.
Como quebrar o ciclo
Especialistas recomendam que a primeira etapa seja observar como o consumo de conteúdo afeta o próprio humor. Uma estratégia simples é fazer pausas periódicas e avaliar se a experiência está gerando informação útil ou apenas aumentando sentimentos negativos.
Também pode ser útil estabelecer limites de tempo para o uso de redes sociais e sites de notícias, além de substituir parte desse período por atividades que favoreçam o bem-estar, como exercícios físicos, encontros presenciais, hobbies ou momentos de descanso.
Mais do que abandonar a informação, a proposta é desenvolver uma relação mais equilibrada com o conteúdo consumido. Em um cenário de excesso de notícias, saber quando parar de rolar a tela pode ser tão importante quanto estar bem informado.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos