Saúde • 10:04h • 16 de maio de 2026
Dores e cansaço são sinais de alerta para fibromialgia e síndrome da fadiga crônica
Desde janeiro de 2026, essas condições podem ser configuradas, por lei, como deficiência
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Gov | Foto: Arquivo Âncora1
Aos 62 anos, a aposentada Angelina da Silva convive há 15 anos com a fibromialgia. Moradora de Orobó, no interior de Pernambuco, ela faz tratamento no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), onde recebe acompanhamento multidisciplinar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Sinto dores no corpo todo de forma variada, umas mais intensas, outras mais leves, mas sempre desconfortáveis. A gente acaba aprendendo a lidar com elas e também com os pensamentos, porque é muito importante não se abalar emocionalmente”, relata.
Angelina faz parte dos cerca de 6,5 milhões de brasileiros que convivem com a fibromialgia, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia. O número representa aproximadamente 3% da população do país. Para ampliar a conscientização sobre a condição e também sobre a Síndrome da Fadiga Crônica, o dia 12 de maio é marcado como Dia Mundial e Nacional de Conscientização dessas doenças.
A fibromialgia é caracterizada por dores musculoesqueléticas generalizadas, frequentemente acompanhadas de fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, alterações cognitivas, sintomas depressivos e sensibilidade aumentada ao toque. Embora a causa exata ainda não seja conhecida, estudos apontam que a doença está relacionada a alterações no sistema nervoso central, que aumentam a percepção da dor.
A condição afeta principalmente mulheres, o que pode estar relacionado tanto à sobrecarga física e emocional quanto a diferenças no processamento da dor pelo organismo feminino.
Já a Síndrome da Fadiga Crônica, também chamada de Encefalomielite Miálgica, tem como principal característica o cansaço intenso e persistente, que não melhora mesmo com repouso e pode piorar após esforços físicos ou mentais. Entre os sintomas também estão dores, tonturas e problemas de memória.
A reumatologista e coordenadora do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPE, Aline Ranzolin, explica que o diagnóstico correto é fundamental para diferenciar essas condições de outras doenças e iniciar rapidamente o tratamento adequado. Segundo ela, o primeiro passo é investir na educação do paciente, ajudando a compreender a doença e a encontrar formas de lidar com os sintomas no dia a dia.
Exercícios e acolhimento ajudam no controle dos sintomas
“A prática de atividades que proporcionem bem-estar, a realização de exercícios físicos, o acompanhamento psicológico e, em alguns casos, o uso de medicamentos fazem parte do tratamento”, afirma.
Desde janeiro deste ano, a fibromialgia, a fadiga crônica e outras síndromes dolorosas correlatas passaram a ser reconhecidas pela Lei nº 15.176/2025 como condições que podem caracterizar deficiência. A avaliação é feita por equipe multiprofissional e considera o impacto funcional da doença na vida do paciente.
Segundo o fisioterapeuta Gabriel Parisotto, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima (HU-UFRR), fatores como limitação nas atividades diárias, persistência dos sintomas e prejuízos na vida social e profissional são levados em conta nessa análise.
A fisioterapia e a prática supervisionada de atividades físicas têm papel importante no controle da doença. Os exercícios ajudam a reduzir dores, melhorar o sono, diminuir a fadiga e aumentar a capacidade funcional. Técnicas de relaxamento, exercícios leves e terapias manuais também contribuem para o alívio dos sintomas.
A profissional de Educação Física do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), Lidiane Gomes, destaca que os exercícios físicos regulares promovem benefícios como melhora da qualidade de vida, redução da dor crônica e aumento do bem-estar, desde que respeitados os limites de cada paciente.
Além dos sintomas físicos, pacientes com fibromialgia e fadiga crônica frequentemente enfrentam preconceito e desconfiança, já que as doenças nem sempre apresentam sinais visíveis em exames.
A psicóloga Nataly Netchaeva, do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que muitas pacientes relatam terem suas dores desacreditadas, o que pode intensificar sentimentos de solidão, ansiedade e depressão.
“Quanto mais impactadas emocionalmente, maiores tendem a ser as dores e a fadiga, criando um ciclo difícil de romper”, afirma a especialista.
Criada em 2011 e vinculada ao Ministério da Educação, a rede HU Brasil administra atualmente 45 hospitais universitários federais que atuam no atendimento pelo SUS, na formação de profissionais de saúde e no desenvolvimento de pesquisas e inovação.
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