Economia • 11:00h • 11 de julho de 2026
Dívida pública de R$ 10 trilhões pode pesar no bolso dos brasileiros com juros altos e crédito mais caro
Especialista explica como o aumento da dívida do governo afeta financiamentos, inflação, investimentos e até os serviços públicos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em R$ 10 trilhões, equivalente a 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central. Embora o tema pareça distante da rotina da população, economistas alertam que o aumento do endividamento público pode impactar diretamente o bolso dos brasileiros ao manter os juros elevados, encarecer o crédito, pressionar a inflação e reduzir a capacidade de investimento do Estado.
Segundo Daniela Monteiro, professora de Economia da EAD UniCesumar, quando o governo gasta de forma recorrente mais do que arrecada, precisa recorrer ao endividamento para financiar suas despesas, comprometendo uma parcela cada vez maior do orçamento com o pagamento de juros.
Juros mais altos afetam famílias e empresas
De acordo com a especialista, o crescimento da dívida aumenta a percepção de risco entre investidores, que passam a exigir remunerações maiores para financiar o governo. Como consequência, as taxas de juros permanecem elevadas e o crédito fica mais caro para toda a economia.
Financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais, cartão de crédito e crediários tendem a sofrer esse impacto, reduzindo o consumo das famílias e dificultando novos investimentos por parte das empresas.
"Se o governo gasta persistentemente mais do que arrecada, precisa se financiar por meio de dívida, algo comparável a uma família que recorre ao cartão de crédito ou cheque especial quando a renda não cobre as despesas. O perigo é que uma parcela crescente do orçamento passe a ser destinada apenas ao pagamento de juros", explica Daniela.
Inflação e serviços públicos também podem ser afetados
Além do crédito mais caro, a professora destaca que a elevada dívida pública pode influenciar a inflação ao afetar a confiança do mercado e pressionar o câmbio, aumentando o custo de produtos e serviços.
Outro efeito ocorre nas contas públicas. Com mais recursos destinados ao pagamento de juros, sobra menos espaço para investimentos em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Especialista defende responsabilidade fiscal
Para Daniela, controlar a trajetória da dívida depende de uma combinação de responsabilidade fiscal, melhoria da qualidade dos gastos públicos e estímulo ao crescimento econômico.
Segundo ela, medidas como revisão das despesas obrigatórias, combate à sonegação e fortalecimento da atividade econômica podem contribuir para reduzir o risco fiscal, favorecer a queda dos juros e preservar o poder de compra da população.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos