Variedades • 20:49h • 27 de maio de 2026
ECA Digital deve mudar publicidade online e empresas terão que rever estratégias para evitar riscos
Especialista aponta que novas exigências sobre proteção de crianças e adolescentes podem transformar campanhas, uso de dados e relacionamento das marcas com o público
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mention | Foto: Âncora1
O avanço do chamado “ECA Digital” está começando a provocar mudanças importantes na forma como empresas fazem publicidade e utilizam dados de consumidores no ambiente online. Com regras mais rígidas voltadas à proteção de crianças e adolescentes, marcas e plataformas digitais passam a enfrentar um novo cenário, que exige mais transparência, responsabilidade e limites no uso de informações pessoais.
A análise é da especialista Cintia de Freitas, CEO e fundadora da Datta Büsiness, que avalia que o mercado terá de rever práticas tradicionais do marketing digital para evitar problemas legais e também danos à reputação.
Segundo Cintia, o debate vai além da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e entra em uma discussão mais ampla sobre ética, responsabilidade digital e segurança de menores na internet. “O foco deixa de ser apenas o desempenho das campanhas e passa também pela forma como empresas se relacionam com públicos mais vulneráveis”, explica.
O tema ganha relevância diante do crescimento do acesso de crianças e adolescentes à internet no Brasil. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% das pessoas entre 9 e 17 anos utilizam a internet no país, o equivalente a 24,5 milhões de usuários.
Além disso, mais da metade dos jovens entre 11 e 17 anos relatou já ter tido contato com publicidade em diferentes plataformas digitais. O levantamento aponta exposição de 55% em redes sociais, 52% em sites de vídeos e 52% na televisão.
Marcas terão que repensar anúncios e uso de dados com avanço do ECA Digital
Publicidade para menores entra em novo cenário
Historicamente, o marketing digital se apoiou fortemente na coleta de dados para personalizar anúncios, segmentar públicos e aumentar conversões. Porém, quando o público envolve menores de idade, essa lógica passa a enfrentar limites mais rígidos.
De acordo com Cintia, práticas como rastreamento intenso de comportamento, criação de perfis detalhados e hipersegmentação tendem a ficar mais restritas com o avanço das discussões ligadas ao ECA Digital. Isso obriga empresas a repensarem campanhas e estratégias de relacionamento.
A especialista afirma que o mercado começa a migrar para modelos mais baseados em contexto, conteúdo relevante e construção de confiança, reduzindo a dependência exclusiva de dados individuais. “O desafio agora é continuar sendo relevante sem ultrapassar limites ligados à privacidade e à proteção dos usuários”, destaca.
Outro ponto levantado por Freitas envolve os impactos sociais do ambiente digital. Um relatório das Nações Unidas aponta que o bullying cibernético já afeta dois terços das crianças no mundo e que metade das vítimas não sabe como buscar ajuda. Para ela, esse cenário amplia a responsabilidade das empresas na forma como criam campanhas e interagem com o público jovem.
Empresas terão que adaptar processos e políticas
Organizações precisarão revisar políticas de coleta de dados, mecanismos de consentimento e formas de tratamento de informações relacionadas a menores de idade. A mudança envolve integração entre setores como marketing, jurídico e tecnologia, além de investimentos em governança digital e controle de dados.
Apesar dos desafios, a especialista avalia que empresas que conseguirem atuar com mais transparência e responsabilidade podem fortalecer a relação de confiança com consumidores e famílias.
“O uso de dados continuará sendo importante, mas dentro de limites mais claros e com uma expectativa social muito maior sobre proteção e responsabilidade”, conclui.
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