Variedades • 20:29h • 09 de outubro de 2026
Ejaculação precoce e disfunção erétil atingem juntas 41% dos homens em estudo
Estudo com 1.242 participantes aponta associação entre as duas condições e revela que 66% nunca procuraram ajuda, apesar das dificuldades relatadas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da No Ar Assessoria | Foto: Divulgação
Uma pesquisa brasileira com 1.242 homens identificou que 41,2% dos participantes relataram simultaneamente ejaculação precoce e disfunção erétil, duas condições que podem comprometer a qualidade da vida sexual. O levantamento, realizado pela empresa Lucy, especializada em terapia cognitivo-comportamental aplicada à saúde sexual masculina, também revelou que 66% dos entrevistados nunca buscaram ajuda ou tratamento para suas queixas. Os resultados foram apresentados no Congresso Brasileiro de Urologia e no Congresso Americano de Urologia.
A análise estatística apontou uma associação entre as duas condições. Homens que relataram ejaculação precoce apresentaram uma razão de chances 1,65 vez maior de também relatar disfunção erétil, em comparação com aqueles que não apresentaram a primeira queixa. O resultado não estabelece uma relação de causa e efeito, mas indica que as dificuldades podem ocorrer simultaneamente.
Entre os participantes, 30% relataram apenas ejaculação precoce, enquanto 13% mencionaram exclusivamente disfunção erétil. Outros 15,7% não apresentaram nenhuma das duas condições. Considerando diferentes graus de dificuldade ou insatisfação sexual, 85% dos entrevistados relataram alguma queixa.
Os dados foram obtidos a partir de respostas voluntárias e por se tratar de um estudo retrospectivo, sem grupo de controle e baseado em autorrelatos, os resultados descrevem o perfil dos participantes e não devem ser interpretados como índices de prevalência entre todos os homens brasileiros.
Homens jovens também relatam dificuldades sexuais
A pesquisa identificou uma participação expressiva de homens jovens. Segundo o levantamento, 42,7% da amostra estava na faixa de 18 a 29 anos, enquanto 74% dos relatos de ejaculação precoce estavam concentrados entre participantes de 18 a 49 anos.
Entre aqueles que relataram ejaculação precoce, a avaliação média do controle ejaculatório foi de 35,8 pontos em uma escala de zero a 100, utilizada para medir a percepção dos próprios participantes sobre essa capacidade.
Os pesquisadores apontam que diferentes fatores podem estar associados às queixas conforme a idade. Entre os mais jovens, aspectos psicológicos, como ansiedade relacionada ao desempenho sexual, podem ter maior relevância. Com o envelhecimento, fatores orgânicos também podem ganhar importância.
Essas associações, entretanto, não permitem identificar uma causa única para as dificuldades. A avaliação individual é necessária para compreender as condições de saúde e os fatores envolvidos em cada caso.
Mesmo com dificuldades, maioria nunca procurou tratamento
Um dos resultados mais expressivos envolve a procura por atendimento especializado. Apesar das queixas relatadas, 66% dos participantes afirmaram nunca ter buscado ajuda ou realizado algum tipo de tratamento para melhorar a vida sexual.
Em contrapartida, 88% demonstraram interesse em melhorar o desempenho e a qualidade das relações sexuais. A diferença entre o desejo de melhora e a procura por acompanhamento indica uma possível barreira ao cuidado, embora o estudo não determine quais motivos levaram os participantes a evitar o atendimento.
Para Lucimar Ghelfi, psicóloga, psicoterapeuta sexual e cofundadora da Lucy, os resultados reforçam a necessidade de abordar as dificuldades sexuais de maneira integrada.
“Quando ejaculação precoce e dificuldade de ereção aparecem juntas, é importante olhar para a saúde sexual de forma integrada, sem reduzir a questão a um único sintoma”, afirma a especialista.
Pesquisa também analisou hábitos sexuais
O levantamento investigou hábitos relacionados à sexualidade dos participantes. Entre os entrevistados, 83% afirmaram se masturbar pelo menos uma vez por semana. Desse grupo, 8% relataram frequência superior a cinco vezes semanais.
Os pesquisadores não estabeleceram, a partir desses dados, uma relação causal entre a frequência da masturbação e a presença de ejaculação precoce ou disfunção erétil.
Segundo a Lucy, a coleta ocorreu mediante participação voluntária e consentimento informado, seguindo recomendações éticas para pesquisas com seres humanos, princípios da Declaração de Helsinki e disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A empresa classifica o levantamento como retrospectivo e não controlado, realizado com informações fornecidas pelos próprios usuários do aplicativo.
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